Há uma semana atrás, eu ia “só” arrancar um dente do siso. Digo “só”, pois já era o segundo, sabia o que me esperava e estava convicta de que pior não podia ser. Mal sabia eu…

Porém, não foi só mais um dente do siso, foi todo um problema bastante mais complexo e que fez com que a minha vida, nos últimos dias, desse uma reviravolta. Desde aquele dia que as dores não passaram e que uma dormência na boca e na língua não me largou. E tudo isto mostrou o quão frágil somos nós e que de um dia para o outro tudo pode mudar.

Uma “pequena” parestesia que me fez perder a sensibilidade de coisas tão simples como o toque dos meus filhos, os seus beijos, o frio ou o calor e até o sabor dos alimentos. A dicção ficou também afectada e até colocar um batom se tornou um desafio – fora todo o lado emocional que isto acarreta, já para não falar dos nervos e da ansiedade.

Sei que, infelizmente, há muitas pessoas que tem problemas sérios de paralisia e que os impossibilita da ter uma vida normal. Eu faço a minha vida normal, mas é a velha história de que temos que passar pelas coisas para realmente sabermos dar valor ao que temos. E nos lembra que não devemos estar sempre há procura daquilo que já temos, que as pessoas são mais importantes que as coisas e que o tempo não passa duas vezes por nós. Na maioria das vezes, temos tudo para sermos felizes e nem nos damos conta.

E assim foi, numa semana em que o próprio Vicente estava a precisar de cuidados, dei por mim a desligar de tudo para me concentrar apenas nele, na Laura e … em estar por inteiro. Valorizar cada segundo, porque tantas vezes divido o tempo que estou com eles com o computador e, mais grave, com o telemóvel que não largamos para nada, como um verdadeiro vicio desta sociedade moderna.

Ao longo desta semana, entre a preocupação que tenho em resolver este problema e ficar com o mínimo de sequelas, coloquei verdadeiramente tudo o resto para segundo plano. Tomei-me como prioridade a mim e a eles, uma coisa tão óbvia, mas que no dia a dia é completamente engolido por todos os deveres e obrigações que temos.

Entretanto, ontem fui tirar os pontos e percebemos que algo mais sério se passou, uma sub luxação da mandibula – ou, por outras palavras, em todo o processo de extracção do dente do siso, deslocou-se o maxilar – e entre as dores horríveis e fortes que tenho, continuo ainda com todos os outros sintomas. Agravam-se as dores de cabeças e interfere muito com o meu lado psíquico. Supostamente é algo que pode acontecer e aconteceu a mim… No entanto, não me vou alongar em detalhes porque não quero assustar ninguém que esteja em processo de extração dos sisos. Ainda assim, quero deixar o alerta para que estejam atentos aos riscos, para que sejam cuidadosos e questionem o mais possível o vosso dentista. Dessa forma, evitam o factor surpresa e, quem sabe, procuram de imediato ajuda especializada. Se eu soubesse que isto podia ser uma possibilidade após aquela intrevenção de certo que não tinha esperado uma semana inteira a aguentar dores insuportáveis.

Peço desculpa por toda esta ausência, pela demora na resposta a alguns e-mails, por ter deixados alguns assuntos em stand-by, pelos compromissos que cancelei, mas as vezes somos obrigados a parar e, independente dos motivos que me forçaram a fazê-lo, isso não tem que ser necessariamente mau. Vou tentar que toda esta situação não me monopolize e que as coisas retomem o seu ritmo normal.

Obrigada pelas mensagens de apoio e de melhoras e por todas as pessoas que se disponibilizaram em ajudar.

Com calma, paciência e a ajuda certa, quero acreditar que daqui a um tempo tudo isto não passou de um grande susto e que vou recuperar a 100%.

Boa noite.

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