Bem feitas as contas e em condições normais, a verdade é que olhando para os últimos dois meses, eu teria ficado mais tempo em casa por assistência à família do que propriamente a trabalhar. Em termos práticos, teria levado um rombo no vencimento a não ser que o teletrabalho fosse uma alternativa viável. E é esta a realidade de muitas de nós, mulheres e mães, com trabalhos “convencionais” para quem a única opção é mesmo faltar ao trabalho e ficar em casa com os filhos. Regra geral, sem qualquer aviso prévio que isto dos filhos dá-se em segundos e quando menos estamos à espera.

Ainda nem tínhamos recuperado das duas semanas em clausura e voltamos novamente a estar fechados em casa. De um momento para o outro, o Vicente diz-me que tem uma borbulha nas costas e daí a ter várias pelo corpo todo foi uma questão de horas. Diagnóstico: Varicela, pois claro! Cancelamos o nosso fim-de-semana na Serra da Estrela com amigos e estamos a cumprir o nosso cativeiro, sabendo que muito provavelmente a seguir vem a Laura. Mas acreditem que um alívio e fico mais descansada se despachar já os dois.

Mas cá estamos nós novamente, em regime de enfermaria, de assistência à família, e se tivesse um emprego normal, admito que não sei como conseguiria gerir tudo isto. No entanto, tendo um emprego não convencional, acreditem que a dificuldade é igualmente grande e a pressão pode ser ainda maior, afinal, estou em casa e deveria ser suposto conseguir fazer tudo. Olho muitas vezes para o computador e penso que os cinco minutos que tenho deviam ser para pegar no post que não terminei, para responder aos e-mails que ficaram pendentes e por aí a fora. Em casa, sentimos que a pressão que o tempo que tempo tem que ser sempre usado para cumprir uma tarefa. Não nos lembramos que uma tarefa muito importante é a de descansar.

Mas foi essa mesma pressão que, a certa altura, me fez perceber que tão importante quanto fazer, é saber quando ceder.  Obriguei-me, quando a conjuntura não está favorável, a escolher prioridades e quando o nosso principal papel, o de mãe, precisa de nós por inteiro, deixar o resto para segundo plano.

Ora o mais sensato é mesmo tirar a tal “baixa para assistência à família” e estar presente por inteiro junto dos filhos e nas necessidades mais emergentes. Há dias em que não conseguimos tirar o pijama, em que a casa fica virada do avesso, em que há roupa espalhada, cremes, farinha na banheira, em que faltam guardanapos e deixamos acabar os cereais, há comida por fazer, roupa empilhada e roupa por passar aos montes. Há dias em que a nossa casa parece um daqueles cartoons sobre parentalidade que vemos a circular na Internet. São momentos em que a nossa vida não tem qualquer glamour, não tem fotografias bonitas e em que simplesmente temos a vida normal e banal de qualquer família.

Depois, há ainda aqueles coisas parvas que parecem que só nos acontecem a nós e que nos deitam a baixo por completo por nos sentirmos, de alguma forma, limitadas. Senão vejam, na sexta-feira passada foi extrair um dente do ciso, pensava que era só mais um, mas foi somente o inferno a acontecer na minha vida. Para além das dores do pós-extracção, tenho uma dormência que me retira muita da minha qualidade de vida e que, por muito que eu tente, me está a deixar-me ansiosa, porque eu acordo todos os dias na esperança que tenha desaparecido.

Porém, para eles são dias de festa, dentro do possível. O Vicente adora estar em casa e é um doente relativamente fácil. Tem havido panquecas e pipocas para o lanche, têm brincado muito e eu tenho feito de tudo para que estes dias tensos sejam o mais agradáveis possível. Afinal, o melhor para eles será sempre o melhor para mim. Inspiro, expiro e faço as coisas como dá.

E por isso, faço uma vénia a todas as mães que se desdobram diariamente para ser e estar os mais presentes possível, às mães que, muitas vezes, são forçadas a sacrificar o lado profissional com tudo o que isso implica e às mães que não podem deixar os seus empregos e são forçadas a arranjar alternativas. Cada uma de nós, independente do estilo de vida, possui uma capacidade de multiplicação como se fosse um polvo, para conseguir andar com tudo para a frente.

Por isso, e obrigatória da próxima vez que se olharem ao espelho, sorriam e gostem de vocês próprias, porque somos seres humanos do caraças, as olheiras, o cabelo mal arranjado, a manicure sucessivamente adiada… tudo isso são apenas pormenores que não nos definem como um todo.

  • Entretanto, para a varicela:
    Banhos de farinha Maizena
    Pruriced creme da Uriage
    Atarax nos primeiros três dias – indicado pela pediatra

Nota: É muito importante a hidratação, porque a pele seca é sinónimo de coceira e com isso, marcas. E marcas é tudo aquilo que nós não queremos. Certo? Digo isto porque os banhos com farinha Maizena secam muito a pele.

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