A Laura faz hoje dois anos e eu lembro-me de cada instante que passei desde o momento em que entrei nas urgências do Hospital dos Lusíadas até ao derradeiro momento em que a puxei literalmente para o meu peito. Recordo-me da espera, das contracções, da minha teimosia e resistência para que não fizessem nada que fugisse ao meu controlo. Lembro-me igualmente da adrenalina que foi percorrer o corredor até à sala de partos e eu e ela dentro da nossa bolha a preparar aquele momento. Lembro-me que só vacilei perante o som agudo dos materiais a bater uns nos outros enquanto o meu obstetra montava todo o arsenal. Pensei, por uma fracção de segundos, e se eu não for capaz de fazer isto? Mas rapidamente mudei a minha atenção, pedi para baixaram as luzes, colocaram música e as contracções marcavam o ritmo de tudo.

Ao meu lado tive a enfermeira parteira mais espetacular que podia ter tido, a enfermeira Telma, uma presença essencial para que o meu cansaço e esforço fossem sendo doseados. O trabalho de casa também tinha sido feito com as longas sessões de preparação para o parto com a enfermeira Luísa Sotto-Mayor – autênticas sessões de terapia. A simbiose do nosso corpo com o parto – que eu achava que não tinha – afinal, existe mesmo e é maravilhosa! O problema é que nem sempre somos devidamente preparadas, informadas ou até mesmo empoderadas de que o parto não pode ser tratado com um outro qualquer procedimento médico.

Lembro-me de ter sentido uma força dentro de mim que nunca tinha sentido antes. Após o parto estava capaz de escalar o Evereste se fosse preciso, porque a verdade é que, neste exacto dia, há dois anos atrás, eu sarei todas as feridas que ainda estavam abertas. Eu renasci juntamente com a minha filha e, por isso, eu repito que, embora não seja a maternidade que me define, é graças a ela que eu sou a mulher que sou hoje! Obrigada (filhos).

E a Laura, que com apenas dois anos me devia lembrar que ainda é uma bebé, faz tempo que o deixou de ser. É dona de uma personalidade forte, que não passa indiferente a ninguém. Tem uma teimosia e uma capacidade de chegar onde quer surpreendente. É destemida e independente. É cheia de vida e, no fundo, um doce sem igual.

Deixa-me de nervos em franja com o tanto que ela inventa e eu já perdi a conta às travessuras que fez. Adora andar na rua e adora andar descalça (e sem calaças). Tanto dá beijinhos como, de seguida, nos levanta a mão. E tem uma mania que me tira do sério em particular, que é deitar tudo para o chão quando é contrariada.

Criei-lhe sem querer um hashtags – #livingwithlaura – porque é mesmo assim. Ela trouxe-nos um novo modo de vida a todos. Destabilizou por completo as nossas rotinas, as regras e o próprio sossego. Já eu, como mãe, voltei à estaca zero e, às vezes, sinto que ainda não aprendi a lidar com esta filha. E isso está claríssimo nas vezes que ela me diz dá o não como resposta.

Porém, é tudo isto que, junto e baralhado, transforma a nossa Laurinha na bebé furação que é, na menina dona de si mesma e que eu espero que venha a ser uma mulher cheia de power no futuro. Amo-a como se fosse filha única, porque nisto dos filhos não existem primeiros nem segundos. Se fechar os olhos lembro-me exactamente da sua sofreguidão pela maminha e das noites que dormimos coladas uma na outra, no nosso mundo. E agora, o meu coração transborda quando ela vai dar a mão ao seu irmão ou lhe pede colo.

São dois anos de Laura… e eu só consigo pensar: como é que pode o tempo passar assim tão rápido? Foi “ontem”, foi exactamente “ontem” que a tive nos braços pela primeira vez e hoje, já faz dois anos.

Parabéns minha filha! Tenho um coração que transborda de amor por ti <3

 

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