Eu sei que é mais fácil dizer do que o fazer. Sei que o ser humano tem esta necessidade tão particular de se agrupar, de pertencer a um grupo e de sentir aprovação nos outros pelo que diz e faz. Porém, aprendi que pensar pela cabeça dos outros pode, em certo momento da vossa vida, fazer-vos desviar do vosso caminho, afastar-vos das coisas que vos realizam e, consequentemente, podem nunca atingir a felicidade e o bem-estar convosco próprios que merecem. “Pensar pela tua cabeça” devia ser quase um mantra!

Pensar pela cabeça dos outros pode, por exemplo, fazer-nos hesitar no curso superior que escolhemos, fazer-nos recusar a oferta profissional que realmente queríamos, pode fazermos distanciar dos nossos objectivos pessoais, pode tornar-nos pessoas inseguras e isso terá reflexos em todos os campo na nossa vida. Todos mesmo!

Lembro-me praticamente todos os dias do conselho que a minha amiga Patrícia, que vive em Haia (na Holanda), me deu quando a minha vida estava prestes a virar-se de pernas para o ar com a ida para Bruxelas. A Patrícia era perentória em dizer que o melhor que me podia acontecer naquele momento, era ir para longe e ser mãe do meu filho em qualquer interferência. Ou seja, o que o que para mim era falta de apoio, na verdade, representava a oportunidade de poder confiar mais em mim e de conseguir pensar pela minha cabeça. E, sem duvida, que este foi dos poucos conselhos que me deram e que eu realmente agradeço até hoje.

Ter deixado o meu emprego era uma inconsciência. O que seria de mim?

Ser mãe a tempo inteiro e dona de casa em pleno seculo XXI? Uma loucura!!!

Ter um filho em casa sem ir à escola seria privá-lo de estímulos, regras e de convívio com outras crianças!

E o despedimento por iniciativa própria acabou por ser a cereja no topo do bolo…

E, pelo meio, tantas coisas que ouvi, tantas lições de moral, tantos comportamentos exemplares que de repente surgiam á minha volta, quando afinal, todos procuramos o mesmo: ser mais feliz! Contudo, em certos momentos, eu permiti que me deixassem insegura e, por vezes, até irresponsável. Afinal, não vive apenas de sonhos na idade adulta, uma vida cheia de responsabilidades e com dois filhos. Sim, é verdade!

Porém, também é verdade que as coisas não caíram do céu. Sucederam-se no tempo, embora com alturas sem um meio termo, era o tudo ou o nada! Mas quando a vida nos traz aquilo que, lá bem no fundo, nós desejávamos… sonhávamos… acho que isso nos deve fazer reflectir, porque “a sorte” não bate duas vezes e eu não sou de fechar as portas às oportunidades que a vida me dá.

Com a idade, pensar pela minha cabeça mostrou-me que a nossa vida privada é privada, que só cada um de nós sabe as motivações que tem, os seus sonhos e que não existem certezas para nada. Sinceramente, eu não acredito naquela vida “by the book”, certinha, tudo dentro de um quadro esperado e considerado normal. De certa forma, encaro isso com uma estagnação, algo que nos vai deixar sempre aquém do nosso potencial e do lugar ao qual podemos chegar.

Acredito que as alturas de crise e, por vezes, de desespero nos fazem ascender sempre a algo muito melhor, algo que ainda nos é desconhecido. Mas assim que a tempestade passar, percebemos que o nosso lugar é ali. No fundo, resume-se tudo a uma forte crença interior, em nós e no universo e compreendo que nem todos nós temos este lado espiritual (se assim lhe quiserem chamar) tão apurado. Há quem precise de dados científico e objectivos para tomar as suas decisões e isso também é válido.

Mas olhando para trás, se não tivesse pensado pela minha cabeça, a minha vida tinha sido muito menos divertida, talvez tivesse tido menos problemas, menos discussões, menos estados de desespero (por não saber o que fazer a seguir). No entanto, ao final do dia, agradeço sempre pelo facto de não ter desistido ou recuado nas decisões.

Muitas vezes, perguntam-me se sou feliz. E a resposta é sim – sem medo de o dizer, porque parece que está instituído que temos que ser “coitadinhos”. Eu sou muito feliz e sinto-me muito realizada sem que isso queira dizer que tenho a vida perfeita, nem de perto nem de longe. Mas a minha felicidade é composta por vários campos e a percentagem do que me deixa triste não resume o todo que é a minha vida, nem de perto nem de longe.

Aprender a pensarmos pela nossa cabeça é seguir o nosso instinto e, pelo caminho, conseguir perceber quem está verdadeiramente connosco, quem realmente nos quer ver vencer e que genuinamente partilha da nossa felicidade. Pensarmos pela nossa cabeça é não ficarmos mais tristes por “perdermos” amigos, porque os amigos não se perdem, ganham-se. É não nos sentirmos fragilizados por aquilo que os outros possam pensar, porque as frustrações pessoais revelam-se nas críticas aos outros e o nosso papel não é resolver os problemas dos outros. É descobrir novas formas de ver o mundo e com isso, novas pessoas que se cruzam na nossa vida como se assim tivesse que ser.

Pensar pela nossa cabeça é libertador! É um passo gigante para sermos mais pessoas mais seguras, autoconfiantes e determinadas. E, dessa forma, acredito, que saberemos sempre tomar as melhores decisões para nós. Não deixem que ninguém vos diga que não são capazes ou que vos imponham os vossos próprios limites. 

E tenho a sensação que especialmente que é após a maternidade que somos subitamente confrontados com uma série de impossíveis. E isso não é verdade, não é nada verdade (mas sim, dá trabalho, muito trabalho, mas compensa).

Bom dia!!!

 

 

 

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