Independentemente da escola e do método de ensino que decidirmos para os nossos filhos, eu faço muita pressão (confesso!) para que a educação deles esteja ligada às artes e ao desporto. Sem, no entanto, forçar nada que eu sinta que eles não gostem, porém eu acredito muito no “educar com as artes e o desporto”.

E bem sei que os meus filhos entram tarde para a escola, o Vicente tinha pouco mais de dois anos e a Laura não irá mais cedo do que o irmão. De qualquer forma, nem com um nem com o outro, descuidei aquilo que eu acho fundamental para o seu desenvolvimento. E sim, apercebo-me que ainda existem muitas pessoas que acham que os meus filhos terão mais problemas de adaptação que os restantes, que possam ser antissociais ou até mesmo menos desenvolvidos. No entanto, o que a minha experiência me diz é que isso é algo que depende de nós: pais! E modéstia à parte, acho que fora da escola, esforço-me muito para lhes proporcionar tantas outras experiências e estímulos que contribuem se não mais, pelo menos de igual forma, àquilo que a escola lhes dará até aos 3 anos de idade.

A música (não se lembram do Bebé Maestro?), o teatro, os encontros com outros bebés, os estímulos a línguas estrangeiras, todas as mudanças da nossa vida e todas as viagens (dentro ou fora do nosso país) que lhes proporcionamos fazem deles crianças sociais, espertas e cheias de curiosidade. Ainda assim, há algo que não devemos esquecer nunca: a personalidade de cada um! Sei que o Vicente é uma criança por norma mais tímida e reservada e, como tal, não o forço a fazer nada que não quer. A Laura, por sua vez, é o oposto! 😊 E muito importante também é saber respeitar o tempo deles.

Portanto, sei que ambos têm aspectos diferentes da sua personalidade que devo trabalhar/moldar/contornar – o que lhe quiserem chamar. E, no caso do Vicente, se as artes lhe deram uma sensibilidade maior para certas coisas, a sua timidez, a auto-confiança e a coragem têm sido trabalhadas através do desporto, mais em particular com o Judo. E se há coisa que na parentalidade temos de aprender é precisamente aceitar o filho que temos e adaptarmo-nos à sua personalidade, respeitando o tempo, volto a repetir! Aprendo isto todos os dias! To-dos!

Há quase um ano atrás, o Vicente saía pela primeira vez da sua total zona de conforto num encontro de Judo. Saiu do espaço físico a que estava habituado, não tinha pessoas de referência à sua volta, sentiu-se perdido, chorou e eu tive que segurar o meu coração de mãe, engolir em seco o que eu própria estava a sentir ao vê-lo no meio do campo, no meio de tantas crianças que ele nunca tinha visto. Mas aguentou-se firme até ao fim e cresceu um “bocadão” naquele curto espaço de tempo.

Este fim-de-semana, teve mais um torneio. Primeiro disse-me que não, deixei o papel em branco, voltei a perguntar, voltou a dizer que não, mas ainda assim, eu escrevi no papel que sim, que ele iria. Uns dias mais tarde, disse-me que, afinal, queria ir. Foi confiante, feliz e corajoso. E chegou ao fim com direito a lugar no pódio, mas sabem? Isso é o que menos importa e embora isso seja uma motivação importante para ele continuar a praticar, treinar, participar e lutar por mais uma medalha, o importante está em todos os efeitos que “não se veem” e que não são imediatos” do desporto e, neste em particular, na sua evolução enquanto pessoa.

No final disse-me que tinha gostado muito daquele torneio e que queria ir mais vezes. Também continua a usar a medalha que ganhou e está cheio dele mesmo. E eu rio-me, claro, orgulhosa também por vê-lo assim. E, no final, a grande lição, para eles e para nós, é que tudo isto só é válido enquanto o fizer feliz e enquanto for divertido.

Moral da história: educar um filho não é uma ciência exacta, as repostas e os caminhos a seguir são, na verdade, nos dados por ele. Entre limites, é deixá-lo mostrar-nos quem é e permitir-lhe que tire o maior partido das suas habilidades, explorando-se na sua plenitude. E para isso, a minha opinião é que devemos mostrar-lhes tudo o que há, artes e desporto incluídos.

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