A partir de hoje, os dias serão maiores, haverá mais sol, as temperaturas vão subir e o nosso estado de espírito irá alinhar-se com o Equinócio de Primavera. Se Deus quiser! E sem sequer me ter lembrado disso, esta foi a semana em que decidi (mais uma vez) empenhar-me em mudar as minhas próprias rotinas.

Para quem está de fora, é muito bonito ser freelancer. É espectacular ter flexibilidade de horários e toda uma disponibilidade para, no fundo, fazer o triplo das coisas que fazia antes. E antes que o nervoso miudinho de algumas pessoas dê sinal, peço-vos leiam este post até ao fim. 😊

Estamos em março e foi precisamente há um ano que me iniciei como trabalhadora por conta própria. Foi, sem dúvida, um ano muito importante para perceber se estava apenas a ser sonhadora ou se, de facto, esse sonho teria pernas para andar e se esse caminho me levaria até onde quero chegar (profissionalmente). Foi um ano em que dei tudo o que tinha e não tinha, em que arranjei tempo para tudo e para todos, em que batalhei para não deixar a família para trás, mas também estava fora de questão fazer as coisas pela metade.

Consequentemente, foi também o ano em que deixei de ter rotinas, em que perdi a minha organização com todos os impactos que isso tem nos mais variados campos. O cansaço levou-me a ter muito menos paciência, o grau de exigência com o nível do meu trabalho fez com passasse pela cama, muitas vezes, apenas por um par de horas, e o facto de querer fazer tudo, fez-me perder a noção dos horários. Por exemplo, a única refeição certa do dia era o pequeno-almoço, a partir daí, era conforme os dias, o trabalho, a família, as urgências e tudo o resto.

No final do ano (de 2017), atingi o meu limite ou, pelo menos um deles. E, desde então, tenho tentado arduamente que os meus dias, mesmo com todas as suas particularidades, tivessem alguma normalidade de horários, uma rotina, alguma tranquilidade para deixar de fazer as coisas em cima do joelho e sempre no meio do caos. Mas admito que não tem sido fácil – pelo menos, tem sido mais complicado do que eu pensava.

Contudo, quando o Vicente e a Laura adoecerem agora recentemente, sinto que voltei a atingir mais um limite, aquele em que o nosso corpo começa a disparar sinais para todo o lado.  Os mesmos sinais que fomos ignorando e que agora nos obriga a parar e a pensar como iremos fazer as coisas daqui para a frente.

Foi aí que percebi que, em primeiro lugar, preciso estar mais atenta à minha saúde, processo esse que só agora começou. Em segundo, adoro o que faço e que essa misão tem de ter a constância e a exigência de qualquer outro trabalho. Portanto, é preciso ganhar ritmos de trabalho que já não se coadunam com o ir aproveitando os bocadinhos de tempo aqui e ali, e para o qual que preciso estar descansada e com energia. Em terceiro, não consigo estar constantemente a andar de um lado para o outro, porque, no fundo, a maioria das vezes, eu não tenho retorno algum a não ser acumular mais trabalho, mais cansaço e menos tempo para a família. Em quarto, é urgente regressar aos bons hábitos de sono, porque isso é algo que realmente começa a preocupar-me um pouco devido a todos os malefícios que dormir pouco tem para a nossa saúde, quer física quer mental. Em quinto e por último, preciso alimentar-me bem e isso tem a ver especialmente com os horários e a quantidade de água que (não) bebo. Mas para isso também é preciso tempo, tempo para a minha cozinha.

Portanto, depois de um ano de grandes conquistas e de provas dadas, está na altura de organizar toda esta confusão à minha volta e na qual eu própria me deixei envolver. Esta segunda-feira voltei a programar o despertador para pelo menos dormir 7h por noite. De manhã, em vez de pedirmos ao Vicente para dormir mais um pouco, somos nós que nos levantamos mais cedo. O Vicente sai com o pai, eu conto com a ajuda da minha mãe para tomar conta da Laura e retomei o meu hábito de ir ao ginásio de manhã, o que torna os meus dias mais cumpridos e produtivos. Estou mais selectiva nos compromissos que tenho fora de casa, racionalizo muito mais o custo-benefício das coisas e estou mais consciente do tempo que não quero abdicar da família. E, no fundo, tudo isso envolve uma maior capacidade de fazer escolhas.

No entanto, hoje, que é também o dia da felicidade, não posso deixar de sorrir porque há um ano atrás, independentemente da certeza que eu tinha dentro de mim, tinha pela frente um caminho cheio de incertezas. Havia o medo, sim; porém, nunca foi megalómana, nunca me preocupei com aquilo que os outros têm ou fazem. Eu fui fazendo o meu caminho, usei a minha intuição e, acima de tudo, olhei para além do óbvio e do que tenho a minha volta. E é para lá que me estou a dirigir, aos poucos e sem pressa. 

E subjacente a tudo isto está uma gratidão enorme por cada conquista, por cada trabalho, por cada voto de confiança, por cada elogio, por cada incentivo e naturalmente por ter acreditado sempre que vou ser capaz e nunca ter baixado os braços!

O que tenho actualmente (e que não se mede nas coisas tangíveis e materiais) é muito melhor do que aquilo que eu alguma vez tive, isso sem dúvida. Agora, só me resta aprender a gerir esta casa sem me esquecer de mim! Certo? Certo!!!!! 😊

Boa noite.


Fotografia tirada na maravilhosa Quinta de La Rosa, no Pinhão (Douro)

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