Ontem, depois de aconselhada pela pediatra do Vicente e da Laura, fui com a Laura às urgências pediátricas do hospital de Santa Maria. Foi a primeira vez que foi às urgências de um hospital público com eles. Pode parecer “frescura” da minha parte, mas acreditem que foi simplesmente o fruto de, por um lado, não ter necessidade (e ainda bem) de ir de emergência com os miúdos assim tantas vezes e quando assim era, ia ao hospital onde o pediatra dava as consultas. E, por outro lado, do facto de ter tido um estupendo seguro de saúde por via do meu anterior emprego.

Mas não tenho nada contra o SNS, aliás, sempre fui com os meus pais e sempre fui até ter o tal estupendo seguro de saúde. Depois “acomodei-me” ao conforto dos hospitais privados, é mais rápido e mais prático. Mas terminado esse “luxo” – porque o era – a vida segue. Tenho um seguro normal de saúde para mim e para os meninos. Mas quando não se torna vantajoso ou quando me é sugerida essa alternativa, como foi o caso, eu vou ao SNS. E ontem fui, declinei a hipótese do privado e fui ao público.

Era domingo e, talvez tenha tido sorte nas urgências. Porém, no geral, até foi rápido ou a mim pareceu rápido tal foi o alívio de a trazer medicada. Contudo, enquanto lá estive, o tempo que passava, eu tinha a Laura nos braços, apática, ao mesmo tempo, que procurava a melhor forma de a manter protegida do ambiente “viral” da sala de espera.

Nas urgências haviam miúdos de várias idades, desde bebés a adolescentes e uns mais combalidos do que outros. Os pais também, uns mais preocupados, uns mais pacientes e outros mais cautelosos em relação às outras crianças. Haviam pais que deixavam os miúdos irem ter com as outras crianças e outros que se lembravam de advertir para que pusessem a mão na boca quando tossissem, por exemplo.

Na sala de observação, uma das médicas ficou muito aflita quando ouviu a Laura chorar irritada. Fiz o meu olhar fulminante e não abri o sorriso. Pareceu-me mal. A verdade é que me parece sempre mal quando estou perante alguém especializados em crianças e que tem este tipo de reação, muitos vezes sem se dar conta. Pronto, sou assim (e também não é por mal).

Voltei a sala de espera. Ainda mais crianças e ainda mais pais. Uma das crianças tinha levado com uma televisão e tinha um traumatismo craniano, outros não percebi bem, muitos iam e voltavam para fazer os exames ou esperar os resultados e bebés que choravam sem parar.

Os pais, atentos e preocupados, claro que tinham milhares de outras ideias para passar aquele domingo. E eu voltei a pensar naquela médica e em todos os médicos e enfermeiros, auxiliares… ao contrário dos pais, eles iriam ficar ali, todo o domingo, a tratar todas crianças (e se calhar, alguns deles teriam as suas igualmente doentes). Juntamente com o facto de terem que lidar com toda a expectativa e necessidade de respostas. Os pais não esperam falhas, eles esperam, tal como eu esperava, que o choro irritado de uma criança não os aborreça, e que achem legítimo que questionemos e que interroguemos “mas tem a certeza?!”

Somos exigentes por natureza e, por vezes, tornamos-nos irracionais, sem intenção de o sermos. O mesmo que nos impede igualmente de sermos capazes de nos colocar no lugar do outro.

Fui à urgência pediátrica do Hospital de Santa Maria e acabei por aproveitar aquele tempo para pensar sobre uma série de coisas. Mas a maior de todas elas foi, sem dúvida, que a saúde é a maior benção que podemos ter vida e que ter os filhos doentes e talvez a única coisa que que tira literalmente o sono.

Boa noite!

P.s: Amanhã tem passatempo para ver se animamos o ambiente por aqui. E os resultados para o passatempo nova embalagem Queijo Limiano Fatias saiem amanhã de manhã. Desculpem, mas não consegui mesmo apurar os resultados para sairem hoje.

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