Sobre a realidade quando temos os filhos doentes. Hoje é o segundo dia de febre para o Vicente. Febres altas, muito altas, olhos espelhados sempre, apático e sem apetite. O que vale é que ele é bonzinho de se tratar, gosta de tomar xaropes e é sossegado. Mas é homem 🙂 E como tal, fica doente e pede para a mãe lhe fazer tudo, incluindo aquelas coisas mais básicas como beber água e limpar o nariz. Tem passado os dias entre o dormitar, o ficar agarrado a mim, ver televisão, agarrar- se a um brinquedo, mas pouco mais.

Ontem passei a noite de vigia. Uma febre que teimava em não baixar dos 39 graus. Foi com ele cedo para a cama, esperei que adormecesse – enquanto isso adormeci – quando acordei já só fui ver se me despachava para voltar a dormir.

Entro na casa de banho e, passado um bocado, acorda o Vicente que me pede para ficar com ele.

Volto para a cama e espero novamente que adormeça e, desta vez, esforço me para não voltar a adormecer.

Adormece, corro para a casa de banho e mal termino, ouço novamente “mãe”. A febre subiu, começo a intercalar com o brufen. Ele adormece e eu não durmo mais à espera que a febre ceda. Não me lembro do tempo que dormi ao certo, pois o Vicente acordou várias vezes para beber água e para ir à casa de banho.

De manhã acordou com fome. Levanta-se cedo e eu peço para que descanse mais um pouco. Ele acaba por dormir mais um pouco e volta a acordar com fome.

(Tinha mais olhos que barriga.)

Pede cereais com leite na taça e um copo de leite. Faço tudo em modo zoombie. E a Laura, que tinha tomado pequeno-almoço dela com o pai antes, senta-se a mesa novamente e começa a pedir leite também. Nem um nem outro comeram nada do que pediram.

Vamos para a sala, continua com febre e quer atenção – e a irmã também. Brigam porque os dois querem sempre o mesmo.

Ligo o computador, respondo a e-mails atrasados, tento fazer outras coisas, mas nada que exigia muita concentração.

Almoçam, mas o Vicente come pouco. A Laura vai dormir a sesta e o Vicente afinal, quer torradas. Tinha acabado de me sentar no sofá.

Parei tudo! Voltamos para a cozinha. Quer torradas. Faço torradas. Quer que me sente ao pé, sento-me (e ainda não almocei). Afinal, também quer leite. Peço para esperar e ele espera… 2 segundos. Levanto-me, vou buscar o leite. Conclusão, não comeu as torradas nem bebeu o leite. Voltamos para a sala. Volto a medir a febre e a maldita voltou a subir. A Laura acorda da sesta e entramos em modo repeat até ao fim da tarde.

O pai vem mais cedo, os dois pulam de alegria. Brincam com o pai. Mas à hora de jantar dou por mim com os dois ao colo e eu sem chegar ao meu prato.

O Vicente está cansado e quer dormir. É a maldita febre que voltou a subir. Despacho-me e vamos para a cama. Ele já adormeceu e eu estou aqui à espera que a febre desça.

Olho para trás e vejo que passei o dia todo em modo automático, em que eram eles que iam carregando no botão. Ora cá isto, ora faz isto, ora quero aquilo… sempre sem parar [conferem que se passa o mesmo em vossas casa?!]

Mas mãe é mãe, faz o que tem que ser feito. Põe o seu coração ao alto pelos filhos. E a verdade é que só entendemos isso quando nós próprias nos tornamos mães. Olho para ele e lembro-me de quando era eu, o que eu gostava dos mimos da minha mãe e lembro-me de todas as suas “mezinhas”.

Amanhã vou tirar uma pausa. Vou ao ginásio para não dar esta semana como perdida e tenho que fazer o mesmo com a Laura – não ao ginásio, mas fazer qualquer outro programa. E vamos torcer para que, ao terceiro dia, a febre do Vicente ceda, que o meu pingo do nariz seja só mesmo isso e que a Laura continue rija como é.

Ainda se lembram do texto que escrevi a respeito das mães multitasking?

Boa noite!

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