Estou na Suécia, mas concretamente em Estocolmo. Vim sem o Vicente e a Laura numa espécia de fim-de-semana prolongado. E, à excepção da viagem de 24h a Madrid, é a primeira vez que estou tão longe fisicamente de ambos e por tantos dias. E sim, admito que desta vez custou mais. Embora, viajar sem filhos seja, a partir de um certo momento, uma vontade real que nós, pais, sentimos.

A despedida foi mais dolorosa com o Vicente. O facto de se expressar cada vez melhor e o facto de eu tentar que ele fale cada vez mais sobre os seus sentimentos, fez com que me dissesse várias vez que ia ter saudades minhas por meio de lágrimas. Mas também me disse que não iria ficar triste porque ia sonhar comigo todas as noite até eu chegar. E o facto de não me ter despedido da Laurinha, porque saímos muito cedo, tb fez com que saísse de casa não tão leve e tranquila como eu achava que iria ser.

Em contrapartida, foi muito estranho que toda a logística – de viajar de avião – fosse  tão prática e rápida. Sem falar que trouxemos muito menos coisas, com o bonús de ter a viagem inteira por nossa conta. E agora cá entre nós, todas as mulheres que têm filhos, liberdade é saber que não estamos controladas pelos horários deles e que vamos poder simplesmente estar e usufruir descontraidamente das coisas ao nosso ritmo. E isso são, sem dúvida, coisas boas (muito boas) e que me deixam feliz.

Eu adoro viajar com os meus filhos e claramente que é aquilo que eu realmente quero fazer com mais frequência. Porém, sabemos como é cansativo e exigente. E é especialmente desgastante mantermos o nível do “está tudo bem” sempre lá no alto, pois só assim conseguimos desfrutar de viagens, como aquelas que fazemos, com filhos tão pequenos.

Contudo, não sei se é por serem as primeiras vezes, mas, cá dentro, há como que um sentimento de culpa, como se estivesse a fazer algo de errado. Venho com a imagem do Vicente a choramingar, penso na Laura que acordou sem me ver e que não me vai ver durante os próximos dias. Bom, na verdade, fizemos uma chamada por Facetime com eles, mas não sei se terá sido uma boa ideia. Foi ontem, era como se precisasse de os ver, porque não o tinha feito.

Para além disso, sei perfeitamente que estão bem, sei que deixei todas as recomendações possíveis, sei que vão estar entretidos ao ponto de nem pensarem muito no facto de eu não estar (e o pai, claro). E sei igualmente que é importante haver um momento em que os pais fazem o seu próprio corte com o cordão umbilical e em que retomam as suas vidas, sem esquecer os filhos, mas conscientes de que há uma vida para além deles. 

É o tal equilíbrio do qual andamos todos a procura. É o equilíbrio da parentalidade, se assim o pudermos chamar, que faz bem aos pais e aos filhos. Sei que quanto mais “dependente” for dos meus filhos mais difícil vai ser deixá-los seguir o seu rumo e eles próprios vão sentir-se também mais dependente de nós.

E na forma como eu pretendo educar os meus filhos: seres independentes, autónomos, destemidos e aventureiros, eu tenho que fazer o (meu) trabalho de casa. Tenho que me educar a não deixar que o instinto de ninho e de protecção me condicione. E não é fácil. Fácil seria estarmos todos aqui. Mas também sabe bem sentir-me simplesmente… uma pessoa adulta! 

Muito Confuso?!

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