Às vezes, sinto que eles, irmãos, podem não ter tempo suficiente um com o outro para se conhecerem a fundo, para estarem sem se contar o tempo até à próxima rotina. E tenho a impressão que é a Laura, especialmente, que fica sempre com um sentimento de saber a pouco. Na verdade, o mundo dela gira em torno do irmão, é o exemplo a seguir e, muitas vezes, é a ele que recorre e não aos pais.

E tirando os fins-de-semana e as férias, que actualmente são bem menos do que as que tinha na minha altura – porque as crianças passam mais tempo nas escolas – os restantes dias são a correr. Mas ainda assim, sei que temos muita sorte com o equilibro familiar que alcançamos, porque isso os protege de uma série de exigências que a vida adulta tem e que acaba por ter implicações na vida dos filhos.

Porém, o tempo que sobre para eles, é pouco. A Laura vive os dias à espera do momento para ir buscar o irmão à escola, que, por sua vez, me pede todos os dias para que a Laura o vá buscar. Depois penso que o tempo que tem só para os dois não é o suficiente. Penso que não é o suficiente para não implicarem tanto um com o outro, não terem tantos ciúmes, para se conhecerem e aprenderem a brincar um com o outro, para terem as suas conversas e até desaforos.

Sim, não pensem que estes dois são só amor, beijos e abraços! São duas pessoas pequenas, mas com a capacidade de pôr uma casa virado do avesso. Implicam e gritam um com o outro. O Vicente é mais de amuar, a Laura passa a acção e puxa cabelos, se for preciso! Às vezes lá sai uma ameaça de que os separo se não sabem brincar juntos para, a seguir, lá virem os pedidos de desculpa, o “maninha” e o não volta a acontecer. Está bem cinco minutos para depois voltarmos ao caos. Basicamente é assim! 🙂

Ainda assim nota-se uma cumplicidade especial entre o dois, o carinho e a ligação que têm. A Laura que claramente quer ser igual ao irmão e o irmão que tem um instinto protector apurado! E esta semana, sem saberem, saiu-lhes a sorte grande! Tiveram-se um ao outro, sem pressas. Os primeiros dias são sempre mais difíceis, a coisa custa a engrenar. Gritam muito, choram muito e reclamam muito um do outro. Mas aos poucos, vão deixando a cumplicidade falar mais alto. Já se entendem mais e refilam menos. Afinal, são irmãos 🙂

Gosto de os ver juntos. E gosto ainda mais que tenham tempo juntos, tempo de qualidade. E sei que para isso, também é preciso deixá-los gritar, zangar… até conseguirem resolver juntos as coisas. É preciso segurar o instinto de intervir, é preciso contar, muitas vezes, até 10, porque é preciso que tenham liberdade para se conhecer e para se dar.

Entretanto, uma das coisas boas de ser mãe de segunda viagem, é o facto de isso gerar-me menos ansiedade, de me ter tornado mais branda e, ao mesmo tempo, mais preocupada se não ando a ser branda de mais. Rio com os dois quando devia ficar séria, peço paciência quando devia ser mais rígida. Mas depois penso que só são assim agora, que só se riem como riam de coisas tão tontas agora, só nos dão mimos tão genuínos nesta fase e é quando acordo com os dois na cama que percebo o quão preenchida me sinto.

Esta semana, saiu-lhe a sorte grande, ao Vicente e à Laura. Contudo, só mais tarde é que se vão aperceber disso, quando repararem que aquilo que os une é forte e único. Que sejam amigos para a vida é o meu maior desejo.

Boa tarde!

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