O dia dos namorados, foi esse o grande pretexto que nos fez viajar até ao Douro e ainda bem! Não quero saber se é ou não “piroso” celebrar este dia, pois embora não seja este o dia que defina o amor, se for ele o mote para o enfatizar nas nossas vidas e especialmente para o reanimar numa relação a dois, que venham muitas mais celebrações do dia dos Namorados. 

Se num relacionamento normal já é preciso termos atenção para não cairmos no comodismo, havendo filhos, essa atenção deve ser redobrada! Não podemos dar nada por garantido nem achar que está tudo bem. Sim, é preciso fazer um esforço para alimentar a relação a dois, a par com os desafios da maternidade. Para alguns casais poderá ser natural, mas para muitos, não será! E a verdade é que o amor não se coaduna com o deixar andar, ele precisa de ser regado e alimentado constantemente. Sem nos darmos bem conta, o grau de intimidade reduz drasticamente a partir do momento em que se tem filhos e é como se realmente fosse preciso encontrar escapes sem eles para que essa proximidade possa ser alimentada. E foi um pouco isso que expliquei ao Vicente – por outras palavras, claro – enquanto lhe disse que o pai e a mãe iriam passar o fim-de-semana fora e que ele e a mana ficariam com a avó. Aceitou bem a ideia do Dia dos Namorados! eheh!

Pela frente, tínhamos umas boas horas de caminho, mas um entusiasmo quase de adolescentes por realmente estar a acontecer! A Quinta de la Rosa situa-se a um quilómetro da Vila do Pinhão, mesmo no vale do Douro. Foi um privilégio acordar todas as manhãs e sentir aquele cheiro, o silêncio da natureza, a calma, o som dos passarinhos e sentir aquele sol já quente o suficiente para nos aquecer. Era a nossa primeira vez naquela região, por isso entendem o quão maravilhada fiquei, porque nada do que já vi se compara.

A Quinta de la Rosa foi um presente de baptismo à D. Claire, ainda no século XIX e que, actualmente é gerida pela neta Sophie e pelo seu pai Tim. Está inserida na Rota do Vinho do Porto, tem um restaurante muito bom, a cozinha da D. Clara, são produtores de vinho e, paralelamente, têm esta parte de turismo rural.  E dos 21 quartos, apenas um não tem vista para o rio Douro e todos eles têm o nome de uma mulher da família. O nosso era o Cândida 😊.

Senti-me bem, tranquila e em paz. Já tinha perdido a noção do que é verdadeiramente estar em silêncio e estar concentrada apenas em mim. Começámos por tomar o pequeno-almoço na cozinha da D. Clara e um pouco mais tarde fizemos uma visita à quinta, à adega e pudemos perceber um pouco da sua história e de como é produzido o vinho de La Rosa.

Tivemos ainda a sorte de poder participar numa prova de vinhos, guiada de forma muito profissional e explicativa por um dos funcionários da Quinta, e posso dizer que fiquei adepta destas provas, pois ajudaram-me a refinar e a conhecer melhor os meus próprios gostos em termos de vinhos, também graças aos conselhos de harmonização de vinho com tipos diferentes de comida que nos foram sendo dados. E foi aí que descobri que os vinhos que eu mais aprecio são aqueles que expressam o sabor da uva e não do que está à volta dela, como a madeira.

O fim-de-semana na Quinta era especialmente dedicado ao dia dos namorados, em sentido lato, com várias iniciativas e propostas para desfrutar desta ocasião. E foi muito curioso observar a diversidade de casais que encontrámos por lá, desde nós, sem filhos, a um casal na casa dos 60 anos e com espírito e energia de adolescentes, até um casal estrangeiro com uma recém-nascida de 6 meses, acompanhado dos avós e que não perderam uma atividade. Ou seja, nem o amor tem idades, nem as ocasiões para o reforçar e nutrir devem depender das fases da vida em que estejamos. A Quinta de La Rosa, não só pelas condições belas e serenas que oferece, mas também pela perspetiva romântica que conseguiu dar a estes dias, é um sítio que ficou gravado nas nossas memórias e no nosso coração.

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