Regressamos ontem, ao final da tarde, a casa, para junto do Vicente e da Laura. E, se por um lado, ele estava mais efusivo e falava sem parar, vendo-se claramente um brilho especial no seu olhar assim que nos viu. Por outro, a Laura mostrou-se indiferente. Fomos ter com eles ao parque, o Vicente parou imediatamente de jogar à bola e ela, que estava no baloiço, lá ficou sem ligar quer à mãe, quer ao pai. Confesso que, sabendo eu que ela tinha andado a perguntar por mim aqueles dias tinha secretamente uma outra expectativa. Mas sim, também reconheço que esta indiferença era previsível.

Não tínhamos planeado este fim-de-semana sem filhos. Aliás, sempre que começamos a fazê-lo, começamos a ponderar demais e acabamos por ceder em andar sempre com eles. Mas, entretanto, a oportunidade surgiu, era um pretexto para assinalar o dia dos namorados e arriscamos, mesmo antes de falar com a minha mãe (a pessoa que iria ficar com eles). Afinal, eram só duas noites e um dia em que eles não iam estar connosco e algum dia isto teria que acontecer. Em cinco anos e quase dois meses de maternidade, só estive sem filhos uma vez, tinha apenas o Vicente e ele tinha cerca de dois anos talvez. E não, não morri de saudades, acho que até consegui abstrair-me bastante, porque sei que ele fica bem entregue. E o meu maior luxo foi, como calculam, poder dormir e ter uma refeição dita normal.

Com dois filhos, em idades tão exigentes, custa-me deixá-los, sabendo que a minha mãe não terá ajuda. Sabendo eu, as fitas que eles fazem por nada, mas especialmente quando sabem que não há mais ninguém para ajudar. Custa-me por ela e talvez por isso tenha deixado o tempo passar.

Porém, desde o fim do verão passado que eu, pela primeira vez, senti que não tinha tido férias, sentia-me exausta, ao ponto de entrar naquele lugar comum de praticamente todos os pais, de sentir que precisava de férias das férias. O tempo foi passando, voltamos a fazer férias em dezembro e voltamos a sair em família.

Repetia para mim que este ano era o ano de tomar esta decisão e acabou por vir mais cedo do que estava à espera. E, admito, soube tão bem saborear o silêncio – já tinha perdido a noção do que é mesmo o silêncio – e não ter que estar constantemente a providenciar alguma coisa. Ai o providenciar… esse estado natural de uma mãe de estar sempre a preparar alguma coisa ou a arranjar uma solução.

Foram dois dias que me permitiram encontrar um equilíbrio que há muito não sentia, para perceber o quão estava cansada e quanto é bom saborear o tal silêncio. Mas há um outro aspecto muito importante, o facto de eu e o meu marido termos tido tempo para simplesmente estar. E isto sim, era algo que os dois precisávamos de fazer por nós e pela nossa relação que, em bom rigor, já existia antes dos filhos e que depois deles, estavam a ficar constamente em segundo plano.

Foram dois dias em que não deu para sentir saudades, mas que admito que nos faltava ali qualquer coisa. Adoro ser mãe e adoro os meus filhos, mas também sei o quão importante é para mim manter a minha esfera de individualidade e parece que, ao fim de cinco anos, preciso mesmo dele inclusivamente para continuar a ser a melhor mãe para os meus filhos.

E, por fim, não vamos esquecer daquela que é a melhor parte destas escapadinhas: o regresso! Foi um fim de dia carregado de mimos, beijos e abraços. O Vicente e a Laura estavam mais meigos do que nunca e percebia-se que tinham saudades. Não houve birras, passaram muito tempo aninhados em nós, abraçados e na ronha.

Fizemos cerca de 400 quilómetros para chegar à Quinta de La Rosa, no Pinhão mesmo sobre o rio Douro, e valeu cada instante! Foi a nossa primeira vez naquela região e, sem dúvida, que é das mais bonitas de Portugal. Acordamos com o som dos passarinhos e dormimos em profundo silêncio. Comemos bem, passeamos e dormimos ainda melhor. Mas sobre isto falarei num outro post porque vale tanto a pena conhecerem a Quinta de la Rosa e a sua história.

Não sei de quanto em quanto tempo sentirei necessidade de fazer estas escapadinhas sem filhos, mas seguramente que irei repetir outras vezes.

Boa noite.

 

Camisa aos quadrados da Laura | C&A

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