Com a idade, uma pessoa começa a ligar-se mais ao ser e menos ao parecer.  Uma pessoa começa a interessar-se (ainda) mais pelas pessoas e pelos afectos e menos ao material e ao efémero. E quando assim é, para se ter um dia de aniversário perfeito basta-me o essencial: sentir que as minhas pessoas estão perto de mim, que se lembram, seja presencialmente, seja à distância e que consigo ter à minha volta uma aura de boas energias. É sinal que tenho sabido escolher as pessoas certas para me acompanhar nesta viagem que é a vida.

E a prova disso é que o meu único plano para o dia de hoje era estar o mais tempo possível com os meus filhos, porque, sem dúvida, que esse é o meu grande feito até aqui. E é também através deles que eu me tenho tornado na mulher que sou hoje. Sem falar que é graças a eles que há uma parte de mim que se estende para além do meu corpo e do meu ser.

Sinto que entrar nos 35 é como estar na fronteira. Para trás ficam os trinta e para frente um novo horizonte se avizinha. E embora, olhando bem cá bem para dentro, esta coisa da idade e do envelhecer ainda não me faça grande sentido, há uma verdade que tem que ser dita. O meu corpo já não é o corpo de há cinco anos atrás, recupera mais lentamente; há cada vez mais cabelos brancos e traços vincados no rosto que já não desaparecem.

Podia enunciar aqui o que ainda quero fazer e que não fiz. No entanto, acho que com o tanto que já vivi, tenho que saber em primeiro lugar agradecer. E, honestamente, o meu único desejo é sentir alguma normalidade nos meus dias e na minha vida. Acho que, depois de tantas voltas, tantas mudanças, aventuras, recomeços… quero sentir um pouco da tal segurança que até aqui tem sido relativa. E acho que isso se tem reflectido muito na minha necessidade extrema de cuidar da minha casa, de a colocar no ponto de sentir que é o nosso ninho (de segurança). Quero sentir a minha família estável, que tenho os meus bons amigos por perto e que faço aquilo de que gosto.

Parece simples, não é? Contudo, nem sempre é assim tão linear!

E neste dia que começou bem cedo e em que tive toda a minha família comigo, em que tomamos um brunch de domingo a uma sexta-feira, em que soprei as minhas 35 velas e que ao longo de todo o dia fui recebendo muito mimos de vocês. Para mim, representam uma outra forma de família, que foi crescendo e que tanto, mas tanto tem contribuído para esta realização pessoal que hoje sinto. Obrigada por mais um ano em que assinalam este dia comigo, obrigada pelas mensagens que fazem questão de deixar e pelas palavras carinhosas.

Este dia (de aniversário) que já foi tão bom, termina ainda melhor. Agora, já estou a muitos quilómetros de casa. Em casa ficaram os filhos e por estes dias vamos ser apenas o Bruno e a Vera, vamos acordar sem ter ninguém a chamar por nós, calma para conversar e tempo para estar.

Com a idade uma pessoa começa a ligar-se mais ao ser e menos ao parecer.  Uma pessoa começa a interessar-se (ainda) mais pelas pessoas e pelos afectos e menos ao material e ao efémero.

Obrigada <3

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