Sabem o que chega a ser mesmo frustrante nesta árdua tarefa de levar o fim do dia a bom porto? É que mesmo sabendo ao que vamos e tentemos manter o sangue e a cabeça fria para não perder a paciência com as birras sucessivas, admitamos que não é nada fácil. É que uma pessoa, no dia-a-dia, move mundos e fundos, para conseguir ir buscar o filho à escola sempre a uma hora considerada privilegiada; escolhe sempre o diálogo como forma de ultrapassar os obstáculos; procura adiar tudo para depois da hora de dormir para lhes dar a atenção que precisam e, mesmo assim, parece que basta respirar para se ouvir um berro ou ter um, quando não os dois, a chorar.

Atenção que tudo isto faz parte e é normal. Aposto que em todas as casas se assiste ao fenómeno do mini-furação do fim do dia. As birras têm todas as suas explicações lógicas: o cansaço do dia, a descarga de adrenalina, o ciúme entre irmãos e por aí a fora. Porém, ao fim do dia, uma pessoa por muito que se esforce, já não está tão fresca como quando acorda de manhã. E é rezar para que essa manhã tenha sido tranquila, porque também existe um fenómeno chamado tornado matinal, o qual aposto que, pelo menos uma vez, já passou por vossa casa. Vá lá, não me digam que isto não é verdade!

Mas voltando ao início deste post, sabem o que a chega a ser mesmo frustrante nesta árdua tarefa de levar os fins do dia a bom porto? É o pai colocar a chave na porta e imediatamente ter duas crianças transformadas (para melhor). O comportamento altera-se, o pai chega cheio de saudades e é recebido em grande festa e alegria. Brincam e conversam e estou eu ali com cara de caso e com o rótulo da má da fita. Isto é o que custa, porque o Vicente já aprendeu a dizer-me coisas como: eu só quero mandar em toda a gente!

Ora, isto é que é frustrante, porque em termos práticos vou fazer o quê? Pedir ao pai que assuma as rédeas num conflito ao qual ele nem sequer assistiu e que, muitas vezes, deve ser difícil de acreditar que algo de facto tenha acontecido? E, pronto, o pai chega benevolente, de vozinha meiga, deita as crianças, têm o seu ritual e tudo se transforma. Tudo menos eu, que acúmulo créditos na minha malvadez de mãe.

Portanto, digam-me lá se isto não é de irritar uma pessoa e de a deixar, mesmo que por meros segundos, com vontade de pegar na sua vassoura e voar dali para fora?

Por vezes, lá tenho que pedir com muito jeitinho para não ser criada demasiada excitação, para não se entusiasmarem nas brincadeiras, porque, pronto, enfim…. uma pessoa já sabe onde é que aquilo vai acabar. Tentamos explicar que o melhor é manter a rotina do jantar, lavar dentes, xixi e cama sem grandes oscilações e que idealmente nem devia haver história para perceberem que realmente passaram os limites. Mas tudo com muito jeitinho para não parecer que estamos só de má vontade, pois o pai chega a casa e logicamente que quer matar saudades e aproveitar o pouco tempo que têm durante a semana.

Pronto, desabafei! Sobretudo hoje em que, no meio de tudo, tive que preparar um fato de carnaval para o desfile de amanhã da escola e uma pessoa quer sempre esforçar-se ao máximo. E mesmo assim, não me livrei dos (meus) minutos de birra diários.

Sabem que mais? De vez quando, sabia bem trocar com o parceiro e sermos nós a colocar a chave na porta depois do furacão passar. É isso que vos digo 😊

Boa noite.

 

*Fotografia de capa da autoria da Sara Falcão para a festa de aniversário dos quarto anos do Vicente.

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