“Não cries expectactivas para não vires a ter grandes decepções!”… Se tivesse que escolher um lema de vida, além da resiliência e do acreditar sempre em nós, este seria, sem dúvida, um deles. Afinal, se pensarmos um pouco mais a fundo nas situações que nos causam alguma tristeza, conseguimos perceber a razão para nos sentirmos assim tem a ver com alguma expectativa ou ilusão, ainda que inconscientes, criadas. Sem isso, não havia motivo para nos sentirmos tristes! E agora que o mês de fevereiro começa, este é realmente o lema para este mês. Um mês curtinho, mas é o mês do meu aniversário, o mês do amor… poucas celebrações (ou não) mas carregadas de significado e… da tal expectativa. E mesmo não sendo muito presa a datas, a verdade é que o raio da expectativa está lá. Portanto, quando eu digo que não ligo, que não espero nada ou que até nem gosto de surpresas. Isso acaba por não ser bem assim. Porque o que eu mais quero é sentir-me especial para aqueles que estão ao meu redor. Tudo o que eu mais quero é sentir que a forma dedicada com que penso nestas datas e com que me esforço para que o dia dos outros seja memorável, gostava que sentir esse retorno. É inconsciente, pois eu não faço nada para cobrar mais tarde. Mas é da natureza humana, sei lá. É da nossa necessidade de precisar de sentir que gostam de nós por mais independentes que sejamos.

No ano passado, pelo meu aniversário, tentei contrariar tudo isto e “fugi” quase sozinha (porque levei a minha amiga Sofia comigo) para ter um dia dedicado a mim no Dolce Campo Real. O motivo era a grande necessidade de olhar só para mim, depois de um ano de maternidade tão intenso e por ser um ano que ia exigir muito de mim em termos pessoais. Queria ser só eu por umas horas e fiz questão de registar o momento para não me esquecer de mim, para ter onde me agarrar quando os estados de humor e a tal tristeza se apodera de mim. Nesses momentos, lembro-me que aquilo que me move é o “só” ser feliz a cada dia com as ferramentas que tenho e da melhor forma que consigo. 

Tento não me agarrar demasiado aos outros, ao material, ao efémero e aprendi a olhar para dentro, a conhecer-me ao ponto de ser a minha melhor amiga e de saber cuidar de mim quando essa tal tristeza vem, quando os obstáculos são grandes e quando tudo o que tenho à minha volta parece querer ruir. É por isso que eu não acho que seja egoísmo termos o nosso espaço, termos o nosso tempo, termos a nossa individualidade mesmo em relação aos filhos e à família. Porque a verdade é que se soubermos estar só não temos medo de nada, não duvidamos de nada, porque o mais importante nós temos: nós!

Parece estranho? Não sei, talvez… Mas esta foi a forma que encontrei para me safar numa vida que foi levando sempre caminhos pouco lineares, que teve sempre escolhas do tudo ou nada, em que tive que aceitar o risco para ser feliz e confiar que essa felicidade (que é a minha) supera a outra vida, com segurança e redes de apoio.

Sou a filha mais nova e aquilo que sinto, muitas vezes, é que fui largada aos lobos sem estar preparada. A vida dos meus pais tinha mudando muito em cinco anos e nem eles estariam à espera de não poder garantir as mesmas coisas a uma filha e à outra. Portanto, quando a minha vida se orientava numa determinada forma de repente fui forçada a tomar as rédeas e assumir um controlo e responsabilidade que eu própria não sabia bem o que eram.

Acredito que isso tenha ditado esta forma de estar que hoje, prestes a fazer 35 anos, tenho. Talvez esteja aqui a explicação para aquilo que vocês apelidam de uma enorme coragem para arriscar. Se querem saber, devo ter tanto medo quando cada uma de vós, mas simplesmente aprendi a viver assim, retirei as culpas e algum sentimento de injustiça que tinha dentro do meu coração, para viver a vida que tinha à minha frente tal como ela era. E se isso faz de mim uma pessoa destímida, fico feliz, porque nesta vida não podemos dar nada como garantido.

Um bom dia neste primeiro dia do mês de fevereiro!

 

Fotografia || Lovetography

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