Um grupinho de seguidoras (muito queridas) fez-me praticamente um ultimato para ver fotografias do meu casamento. E porquê? Porque ainda não sabiam que eu me casei grávida de 39 semanas, na conservatória de Lisboa e que o Vicente nasceu na madrugada seguinte.

E, como tal, só tenho que agradecer ao casal de amigos que nos acompanhou, pois hoje em dia já não são necessárias testemunhas. Consigo levaram a máquina fotográfica e uma garrafa de champagne, que abrimos no Parque Eduardo VII. No grande dia, não esquecemos também as alianças e eu, como qualquer outra noiva, fiz questão de levar uma coisa azul, uma coisa usada, uma nova e uma emprestada. Posso dizer-vos que a usada foi mesmo o vestido que usei, pois claramente que na minha condição e na loucura de querermos casar antes do Vicente nascer, achei que era ainda mais louca se fosse tentar arranjar algo mais “sofisticado” para dizer o sim. Quer dizer, nem sei bem qual seria a alternativa, pois sem vestido de noiva, a alternativa seria ir normal, acho eu.

Nunca fui daquelas miúdas que cresceu a sonhar com o casamento de princesa, mas claro que ao pensar em casamento, pensava numa cerimónia mais convencional e eu vestida de noiva. Contudo, a altura particular da nossa vida, quando engravidei do Vicente, a insegurança e instabilidade emocional de uma grávida, uma relação sempre vivida à distância, a eminência de ter que tomar decisões importantes com grande impacto na minha vida pessoal e, por fim, um pedido de casamento feito na manhã do dia 25 de dezembro, fez-nos pensar que “ou era agora ou nunca”. No meio de tanta mudança e de tanta novidade na nossa vida, o mais natural seria deixarmos adiar e adiar e adiar.

E sem meias medidas e sem “condições” para um casamento tradicional, decidimos contornar todas as pressões e ter um momento só nosso, de compromisso e de união para os tempos que se avizinhavam. A verdade é que depois daqueles instantes em que casamos, saímos da conservatória, abrimos a champagne no parque Eduardo VII e almoçamos, pouco mais houve para celebrar. Nessa mesma tarde estaria a dar início ao trabalho de parto e, a partir daí, a celebração passou a ser outra, o nascimento do Vicente nessa mesma madrugada.

Agora com os anos que se já se passaram e a distância emocional (de tudo) é outra, não acho que tenha sido precipitado. Foi o que ambos desejamos e achamos ser o mais correcto. O menos bom é que o dia do nosso casamento acaba por ficar “esmagado” entre a passagem de ano e os preparativos para o aniversário do Vicente. Ficou a faltar talvez um pouco de espaço para nós, que há-de ainda assim chegar com o tempo (digo eu).

Não existem alturas certas e nem vale a pena idealizar muito, pois, por vezes, a felicidade e a satisfação pessoal chega-nos quando nos permitimos viver mais o momento com aquilo que tem para nos oferecer.

Um dia, quem sabe juntamos a família, os amigos e os filhos para uma grande festa, a nossa.

Obrigada às seguidoras curiososas que tendo ficado a saber desta história através de um desafio no Instastories para partilhar nove curiosidades sobre mim, não hesitarem em mover quase um baixo assinado para haver partilha de fotografias do grande dia. Assim sendo, fui até ao computador velhinho, recuperei as fotografias para o novo, escolhi as mais “dignas”, editei o melhor que sei e partilho agora com vocês.

E acreditem que não deixa de ser libertador saber que os momentos felizes da nossa vida só dependem de nós. Não são precisos grandes ornamentos ou floreados, ceder a pressões da sociedade ou do que seja. Agradeço não ter sentido a pressão em ter O casamento, O vestido, OS convidados, etc… Quero muito festejar e celebrar com todos, mas esses momentos também podem ser proporcionados por nós no dia-a-dia.

Sei que pode parecer meio louco, mas foi assim que tudo aconteceu! 🙂

 

Comentários

comentários