As rotinas são a base de tudo. A constância das mesmas cria o hábito e, assim, acredito, estabelecermos uma certa tranquilidade e harmonia no dia-à-dia com crianças. Costumo dizer, meio a brincar meio a sério, que a partir de uma certa hora temos que ser rigorosas e manter a rédea curta.

E se no início desta aventura, eu vos disse que o mais difícil era assegura que as rotinas de fim de dia se fizessem de forma mais calma, ao dia de hoje ainda mantenho a mesma opinião. Não raras vezes, somos forçados a fazer uma separação das áreas da casa, em que o pai fica com um e a mãe com o outro..

O Vicente com cinco anos, rapaz, cheio de energia, muito físico, que faz tudo em movimento e, para quem, a palavra “sossegado” parece não ser reconhecida pelo seu cérebro. E a Laura, de quase dois anos, miúda, mas o que é que isso importa, se parece ter mais energia que nós os quatro juntos, teimosa e que não se coíbe em fazer aquelas birras da velha guarda que, ou ignoramos ou, então, está tudo estragado. Pois, estes dois juntos fazem uma dupla engraçada, sem dúvida. Porém, na prática, deixam-me igualmente com os nervos em franja. E a partir de uma certa hora parecem ter somente dois registos: aquele em que se dão bem, mas é porque estão a fazer asneiras e o outro, em que gritam e berram um com o outro.

Ora, gerir o dia-a-dia com dois filhos, com as rotinas que eu achava dominar, ainda é, na verdade, algo completamente utópica e irreal.

Depois da escola, a primeira coisa a fazer é o banho, relativamente cedo (18h30), para ficarem despachados, entretidos (idealmente sem gritarias) e eu ocupar-me do jantar e outras coisas. De seguida, o jantar, também relativamente cedo (19h30). E é tudo cedo, porque tudo é um processo com eles. Ir tomar banho é todo um processo de quererem ir ou não; de quem vai primeiro… E o mesmo se aplica ao jantar. Tudo é um processo até que finalmente estejam sentados à mesa, a comer e sem reclamar (muito). E, neste caso, a minha paciência e tanto maior quanto maior o tempo que eu tiver… entendem? 🙂

Se correr tudo bem e terminarem cedo, ainda brincam mais um pouco. Se for em cima da hora de lavar os dentes e ir para a cama, não podem haver vacilos. Pois, a partir das 20h15 é tudo em estilo militar, sem muita margem para distracções – o que é impossível, pois tudo serve de distracção.

Já tentei que o momento da história fosse em conjunto, já tentei ficar os dois na mesma cama, já tentei a pedagogia, já tentei tudo. Contudo, o melhor (ainda) é adormecerem em separado. A Laura não tem a maturidade do irmão, embora pense que sim e o Vicente não se controla e, no final, acabamos com a casa no caos, os dois a chorar, quando, na verdade, o que queremos é que eles se aclamem e relaxem antes de dormir.

A coisa verdadeiramente boa em tudo isto é que já consigo que ambos adormeçam, mais ou menos, ao mesmo tempo e com isso, conseguimos recuperar o nosso tempo ao final da noite sem crianças por perto. E isso é de facto uma coisa muito boa que a nossa vida de casal recuperou.

Entretanto, o que eu já aprendi também é que com os meus filhos aquela coisa do “deixa-os cansar, pois quanto mais cansados estiverem, mais rápido adormecem!”, não funcionam nem com um, nem com o outro. Quanto mais cansados, mas rigorosa tenho que ser com as rotinas, pois a fronteira entre estar tudo bem e o estar tudo mal, é bastante ténue.

Ora, no meio de tudo isso, vai subsistindo um dilema, que é o deixar os dois com apenas uma pessoa para poder passar uns dias fora, para ir jantar fora com mais regularidade ou até para conseguir estar mais descontraída nos momentos em que o consigo fazer alguma dessas coisas.

Portanto, expliquem-me lá como é que é a vossa rotina de deitar ou como é que se aclamam duas crianças que no curto espaço de tempo entre o jantar e o deitar, perdem completamente a noção de tudo e chegam a ultrapassar todos os limites?

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