Mudar de vida e ser mais feliz! Sim, estamos a sempre a ouvir isto, mas na prática, qual o preço que estamos dispostos a pagar por isso? Um preço que aumenta cada vez mais à medida que a nossa vida vai assumindo responsabilidades cada vez maiores. Por exemplo, as despesas fixas ao final do mês, os filhos e até o conforto e as comodidades que vamos alcançando e que, quer queiramos quer não, habituam-nos, mesmo que não sejam essenciais ao nosso bem-estar.  E se calhar a pensarmos também na idade, em como será a nossa vida daí a alguns anos, se conseguiremos ser realmente mais felizes com o desconhecido, se não será melhor ficar com o que já temos ou se, porventura, haverá algo mais que nos está reservado?

Quando pararem e pensarem nisto tudo – se ainda não o fizeram – preparem-se para ficar com um nó na cabeça. Por mais que a resposta pareça óbvia, a verdade é que a decisão custa horrores a sair cá para fora. E depois, não é linear que fiquemos imediatamente bem a seguir – Com que então, querias tanto mudar e agora continuas insatisfeita?

Há um processo de mudança de vida muito mais profundo do que pensamos, que nos tira a rede de segurança que tivemos grande parte da nossa vida e que nos habitou a precisar de uma série de coisas para nos sentirmos seguros.

Abdicar e correr o risco para ficarmos sem nada em busca da felicidade? E que felicidade é essa?!

Às vezes nem sabemos explicar muito bem o que queremos. Sabemos que como estamos não estamos bem e que a vida é demasiado curta para a vivermos assim. Porém, se isto representa algo em concreto? Não, não representa. É um tiro no escuro, uma força qualquer que se apodera de nós e que nos diz constantemente que temos que mudar e que temos que lutar por nós próprios.

E neste aspecto os homens que me desculpem, pois têm todo o meu respeito e consideração, mas as mulheres são do caraças! Há qualquer coisa que nasce connosco e que nos torna camaleónicas e que necessidade de mudar, seja em que fase da nossa vida for, torna-se uma prioridade.

Quando tomamos determinadas decisões na nossa vida, parece que isso no aproxima de outras pessoas semelhantes. E sim, ao longo do último ano tenho conhecido mulheres fantásticas com histórias de coragem tão motivadoras e interessantes. Porque, infelizmente, tendemos a achar que quem muda é porque pode, porque tem um conforto financeiro grande, etc… etc.… e não, não é bem assim! Na maioria das vezes mudamos porque tem que ser, porque queremos passar por esta vida e deixar a nossa marca, queremos passar por esta vida e sentir que valeu a pena, seja aos 30, 40 ou aos 50. 

E nesta coisa do mudar e do ser feliz entra tudo aquilo que para cada um de nós seja válido. Pode ser terminar um casamento infeliz; pode ser sair de casa e recomeçar literalmente do zero, porque só queremos ser livres para viver a nossa vida; pode ser mudar de emprego; pode ser desistir do emprego e dedicar-se à família; pode ser despedir-se e tentar encontrar espaço na sociedade para uma outra forma de viver; ou pode ser uma mistura de tudo isto.

Infelizmente acho que ninguém consegue o whole package na vida. Ou é possível estar-se plenamente realizada a t-o-d-o-s os níveis da nossa vida? E se for, será isso bom? Eu desconfio sempre, pois acredito que são todas estas complexidades da vida que nos fazem progredir, avançar, a ser melhores seres humanos e, no limite, penso eu… a ser mais feliz.

A minha mãe separou-se ao fim de talvez 40 anos de casamento, uma vida financeira e material estável. Foi forçada a remoçar do zero, quando achava que já não tinha mais nada a recomeçar na vida e que iria aproveitar tudo aquilo que já tinha alcançado. Durante toda a sua vida só tinha feito uma coisa, para além de ter vivido para o meu pai. Durante anos, achou que era o fim do seu mundo, pensou (e ainda pensa) no que tinha e no que perdeu, nas dificuldades que teve que passar e nas mudanças que teve que enfrentar. Contudo, se eu sou da mesma opinião? Não, não sou. No fundo, serviu para mostrar-lhe que ela tem um brilho e uma força próprios, que não precisava de uma âncora. Se foi fácil? Não, foi duro! Duríssimo! Se é mais feliz? Eu espero que sim.

E talvez sem ela pensar muito bem nisso, deu-me o exemplo e a força quando o meu momento de mudança chegou.

E como nós, há tantas, mas tantas mulheres a mudar constantemente, à procura de alternativas, a lutar pelos sonhos, a querer ser mais e melhor por si e pelos filhos ou pela família. A felicidade não se explica, sente-se e que cada um de nós tem maneiras diferentes de ser feliz. Não há certos ou errados, há tentativas constantes e diárias, porque a única certeza é que a vida é só uma, não passa uma segunda vez e não nos dá tempo para pensar muito ou para grandes hesitações. 

Estranho texto este, talvez…, mas todos os dias recebo partilhas, todos os dias ouço histórias, todos os dias me perguntam como fazer, me pedem conselhos e a resposta é só uma: encontra a tua própria luz e não tenhas medo de a fazer brilhar o mais que puderes e o mais longe que alcançares. O retorno vem, não será no teu momento, mas no momento em que tu estarás preparada para o receber. Confia!

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