Há momentos em que pensamos com tanta força nas coisas que desejamos para o nosso dia-a-dia que se pudessemos escrevíamos um Manifesto. Ainda assim, arrisquei e deixei o meu escrito, quem sabe alguém lê e se junta a mim “só por um dia”

  • Só por um dia em que pudessem dormir até tarde;
  • Só por um dia em que a casa ficasse arrumada por mais do que cinco minutos;
  • Só por um dia em que o meu conceito de sábado à noite fosse ficar no sofá, comer uma taça de cereais, ver um filme e adormecer;
  • Só um por dia a pilha de roupa por passar a ferro desaparecia e a roupa por lavar estaria em dia;
  • Só por um dia tudo aquilo que se diz na parentalidade positiva funcionaria na perfeição e efectivamente o diálogo seria a chave do sucesso;
  • Só por um dia em que os filhos adormeceriam e dormiriam a noite toda sem acordar 1000 vezes;
  • Só por um dia não iriam existir copos de água entornados às refeições e o prato da comida não seria jogado ao chão só porque não se quer mais;
  • Só por um dia  todas aquelas rotinas do dia-a-dia, como lavar os dentes, colocar soro, etc… não seriam feitas em sacrifício e com choro à mistura;
  • Só por um dia ouviria mais vezes a palavra sim, em vez de estar constantemente a ouvir o não como resposta;
  • Só por um dia paravam com os gritos e brincariam em silêncio;
  • Só por um dia eu seria capaz de saborear uma refeição em vez de engolir os alimentos, ao mesmo tempo, que ouço a palavra mãe ser repetida vezes sem conta ou, então, sem ter que fazer mil advertências, especialmente para que não se levantem da cadeira das refeições à revelia; 
  • Só por um dia não iriam haver xixis na cama;
  • Só por um dia eu não me iria preocupar com nada para além de mim, um dia e uma noite, para ser mais precisa;
  • Só por um dia por cada pergunta que me fizessem, receberiam 20 euros;
  • Só por um dia em que para sair de casa não se demorasse horas (algumas vezes até nos fazer perder a vontade);
  • Só por um dia em que os filhos seriam como aqueles que vemos nas revistas: lindos, perfeitos e bem comportados;
  • Só por um dia a cozinha estaria sempre arrumada, a mesa sempre posta e as refeições prontas a serem saboreadas;
  • Só por um dia em que me pudesse dar ao luxo de não fazer rigorosamente nada, em que que não tivesse que me aborrecer por alguma coisa, em que não tivesse que negociar ou inspirar e expirar 1000 vezes para aguentar sem perder a paciência;
  • Só por um dia em que eu viveria o caos do fim do dia com o mesmo espírito de quem está numa festa, a divertir-se muito;
  • Só por um dia eu não teria que repetir a mesma coisa vezes infinitas.

Posto isto, acho que cheguei à fase em que sinto verdadeiramente a necessidade de ter uns dias sem filhos. Acho que chegou o momento de pensar em tirar uns dias de férias só para mim, só para ser eu, para não me preocupar com nada, para realmente descansar o corpo, mas especialmente a mente. Dias em que eu pudesse mesmo fazer reset, limpar o contador e deixá-lo a zeros e até sentir saudades de tudo aquilo que agora me aflige e me aborrece.

Sei que não vai ser fácil tomar a decisão, mas acredito que, no fim, todos ficarão a beneficiar com isso. Aceitam-se apostas: será que vou conseguir ir para longe sem o Vicente e sem a Laura?

E se este Manifesto fosse vosso, o que não poderia mesmo falta?

 

Boa noite.

 

Créditos da fotografia || Lovetography

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