Não trocaria a vida com filhos por uma vida sem filhos, disso não tenho dúvidas. No entanto, isso não invalida que, em momentos muito específicos, eu sinta falta de tempo para mim. Sinto falta sobretudo de tempo para descansar quando me sinto muito cansada; tempo para dormir e recuperar as horas de sono; tempo para ficar no sofá e não fazer nada; tempo para que uma simples saída à rua não se torne um pesadelo. Entre outras coisas, é disso que sinto falta!

Os fins-de-semana quando estamos mais cansados acabam por reflectir tudo isto e deixam transparecer a nossa irritação por não estarmos a conseguir ser imparciais e aguentar tudo. Ficamos mais sensíveis uns com os outros e as crianças, muito mais espertas do que aquilo que nós achamos, são as primeiras a reagir a isso.

A falta de tempo dos pais para si mesmos e a sensação de que inevitavelmente a nossa vida e o nosso tempo são conduzidos em função das suas vontades e dos seus estados de espírito são duas coisas que por vezes colidem. E com este desabafo não me estou a lamentar ou a queixar. É algo que é assim, da mesma forma que também é natural que, muitas vezes, os pais sintam dentro de si uma vontade enorme de não estar ali; de que por algum passo de mágica, as coisas se façam sozinhas ou, então, que na ausência de reposta, os filhos se esqueçam de nós e continuem entretidos a fazer as suas coisas.

Este fim-de-semana não teve nada de anormal, não houve mais birras do que o costume ou mais maus feitio. Também não houve mais trabalho, mais tarefas ou mais compromissos. Muito pelo contrário, estivemos apenas por nossa conta, sem nada marcado. Era um fim-de-semana com tudo para ter sido espectacular, não fosse o facto de eu estar ainda muito cansada da viagem a Madrid, com horas a dever à cama, o facto do meu marido também ter tido uma semana exigente; associado o facto do despertador dos miúdos tocar sempre muito cedo e sem meias medidas. O Vicente e a Laura acordam com todo o gás, com toda a fome, com toda a vontade de implicar um com o outro, de tirar todos os brinquedos do lugar… o caos e a rotina que começam as 7h30 da manhã. Algo aparentemente normal em lares de famílias semelhantes à nossa.

E como se isso não bastasse, quando os pais se sentem assim há automaticamente uma ligação com um botão que as crianças têm e cujo efeito é fazer com que tudo pareça ainda pior. Coisas tão banais e comuns nos nossos dias, acabam por correr pessimamente como, por exemplo, ir só lanchar. E mesmo que na nossa cabeça, estejamos a fazer de tudo para tornar os dias agradáveis e até fingimos que estamos super animados, na realidade, a coisa não está a sair de forma natural.

É quando os pais estão mais cansados que as suas fraquezas ficam mais desprotegidas e as crianças mais reactivas aquele nosso estado de espírito. E mesmo que o nosso fim-de-semana tenha sido bom, foi daqueles em que nós desejamos arduamente o início da semana seguinte. Mesmo com toda a correria, mesmo sejam dias em que não conseguimos aproveitar tão bem a companhia uns dos outros e mesmo que passa toda a semana a fazer planos para o próximo fim-de-semana. Mesmo assim, hoje não via a hora de os ver na cama e que a segunda-feira chegue logo.

Um dia em que pegamos nos miúdos para ir visitar a exposição de Joan Miró no Palácio Nacional da Ajuda, algo que costuma correr tão bem e que hoje foi o caos. Supostamente sem qualquer motivo, a verdade é que tanto o Vicente como a Laura estavam completamente desconectados com aquilo e entre uma que chorava e se deitava no chão e o outro que parece que fazia de propósito para tocar nos quadros mesmo sabendo que não podia, eu só pensei em enfiar-me num buraco sem que ninguém desse pela minha falta. Contudo, é óbvio que era impossível, porque é também nesses momentos que OS DOIS querem SÓ a mãe e ao mesmo tempo. É nesses momentos que eu faço as figuras mais ridículas a tentar acalmar duas crianças sem que a paciência se esgote.

Portanto, se me tivesse sido dado a escolher, hoje era daqueles domingos que tinham sido passados no sofá, a ver televisão e em que só me tinha levantado ou para comer ou para ir à casa de banho.

E agora que venha daí essa semana, que espero que seja muito boa para todos nós.

 

Boa noite.

Comentários

comentários