Ter um filho é muito mais do que a responsabilidade de zelar pela sua educação, de cuidar e de garantir que nada lhe falta, desde as necessidades mais básicas a tudo o resto. Ter um filho é saber que parte de nós estará para sempre ligada a outra pessoa, numa ligação quase impercebível de quando é que termina o meu ser para começar o dele. E, mesmo sabendo que um filho é um ser independente e que se vai tornando cada vez mais autónomo na vida e que, embora seja uma criança e por mais frágil e delicada que nos pareça, tem que cair e levantar as vezes necessárias para ganhar a estrutura emocional para que, na sua vida adulta, os dissabores, os obstáculos e as desilusões custem um pouco menos.

E é quando começam a sair da nossa bolha de controlo, quando começam progressivamente a entrar na sociedade, nos grupos, a passar mais tempo sem a nossa presença que eles estão, de facto, a crescer. É nesses momentos que, sem a nossa presença por perto, eles são confrontados com a necessidade de reagir (ou não) às várias situações. É quando as coisas não correm bem que precisamos ter menos coração e mais cabeça para ajudá-los a aprender a lidar com isso. Para mim, são os novos desafios da educação.

O Vicente é um menino muito emocional e mais do que qualquer dor física, é a emocional que mais o afecta. É filho da sua mãe! Consigo colocar-me no lugar dele, perceber a sua decepção e até a revolta perante alguém que o magoa e esse alguém é um dos seus melhores amigos. Neste papel, eu própria tenho que aumentar a minha imunidade, não posso deixar que o coração de mãe fale mais alto.

Se por um lado, quero que aprenda a defender-se, por outro, não quero que responda com violência à violência. Sabendo que não o posso proteger de tudo, quero um equilíbrio que sei que existe, mas que na prática, não é fácil encontrá-lo. Quero que seja um menino respeitador dos outros, que não se deixe acobardar e sobretudo que não tenha medo, quero que aprenda a relativizar as situações sem se ficar a sentir culpado ou pensar “porquê a mim”, quero que entenda que o ser humano é assim mesmo e que crescer é também isto. Quero que saiba usar a emoção para se defender sem ser igual, mas não quero que, por isso, achem que ele possa ser um totó. Quero que seja um menino bom, mas um menino bom que é, ao mesmo tempo, esperto.

Mas como é que isto se faz realmente? Como é que nos preparamos a nós, em primeiro lugar, para lidar com esta realidade, com estas novas situações em que não os podemos simplesmente voltar a colocar debaixo da nossa asa para não sofrerem? E depois, a eles? Tão pequeninos e com um coração tão puro, que inevitavelmente vai deixando de o ser… porque a vida é assim mesmo, porque eles crescem e porque os filhos são um bem precioso que oferecemos ao mundo, na esperança que faça um pouco melhor pelo universo e que o universo lhe retribua.

Os filhos vão crescendo e o “enredo” adensa-se, ganha uma complexidade e uma consistência diferente. O sentido de responsabilidade fica mais presente e a necessidade de vigilância também. É preciso conversar mais, estar mais presente e construir uma relação forte e de confiança que nos permita estar sempre próximos.

Os cinco anos! Afinal, é mesmo uma fase “especial” e o início de algo diferente tanto para eles como para os pais e que vem cheia de novos desafios na educação dos filhos.

Bom Dia.

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