Fazes hoje os tão esperados cinco anos. Começaste por contar os dias, há um ano atrás, depois as horas e, por fim, os segundos até que (também) tu chegasses aos cinco anos. O teu brilho no olhar não engana, estás radiante por estares a ficar crescido e cada vez mais próximo da escola primária. Estás radiante porque, tal como os teus amigos, tu agora também já lá chegaste.

Como é que foi tão rápido é que eu não sei. Como é que de repente enches uma mão cheia de anos, é que eu não sei. Acho que o meu coração de mãe ainda não se habituou à ideia de ser mãe desse menino crescido, de ter que te ir largando cada vez mais para que sigas o teu rumo, encontres o teu caminho e que sejas sempre um “menino” feliz e que guardes em ti um pouco desse coração puro que tens.

Como mãe, só queria poder-te o mundo. Só queria poder livrar-te de todas as coisas más, queria que nunca tivesses que sofrer, que nunca te magoassem ou que fossem injustos para contigo. Mas sei que esse mundo que eu tanto te quero dar passa por me esforçar por te dar a melhor educação (e as ferramentas) que consigo, por te ensinar que o nosso caminho somos nós que o fazemos e que para isso temos que trabalhar muito e especialmente, acreditar sempre em nós; por te passar os valores e os princípios que farão de ti uma pessoa honesta, justa e respeitadora; por te mostrar que podes ser uma pessoa boa e mesmo assim não seres totó, porque as pessoas nem sempre são aquilo que nós esperamos delas. O mundo que eu te quero dar passar por todas as oportunidades que que eu te quero proporcionar e pelo mundo em si que te quero mostrar. Que nunca tenhas medo de ser quem és e de mostrar isso a quem te rodeia, mantém a tua luz bem acesa porque isso é meio caminho andado para seres feliz.

Foste o meu primeiro filho, fizeste de mim uma mulher e uma mãe, ensinaste-me a olhar para dentro, a lutar contar os meus fantasmas e com isso ajudaste-me a ser uma pessoa melhor. És o meu Vicente especial, com um coração doce e meigo. És o menino que basta olhar nos meus olhos para saber como eu me sinto, és o menino que nunca me larga a mão e com quem vivi uma aventura tão única e especial desde o dia em que tu nasceste.

Tive a grande sorte da minha vida em puder acompanhar-te todos os dias da tua vida, em ver-te crescer e em festejar contigo cada conquista tua. Tive a sorte de ver o mundo através dos teus olhos e sei que isso me fez regressar às minhas origens e encontrar de novo a pureza e a simplicidade que a vida adulta nos rouba.

E embora o nosso início tenha sido um pouco atribulado, mesmo que o parto me tenha deixado marcas profundas e que o fracasso da amamentação tenha sido uma grande frustração para mim, acho que conseguimos recuperar tudo isso nos dois anos seguintes de tempo em exclusivo a viver contigo e para ti (e tu para mim). Eras a minha companhia preferida, mesmo quando acordavas precisamente na hora da ginástica ou da massagem. Eras a minha companhia preferida para almoçar ou tomar apenas um chá, conseguias ser ainda muito paciente quando eu queria ir às compras. Com apenas dois anos já tinhas visita mais países e cidades que muitos de nós numa vida inteira.

Temos tanto para contar pequeno Vicente, temos uma história tão bonita, filho. E mesmo não podendo voltar atrás, mesmo que agora sejas uma companhia ainda mais espectacular, conversadora, a saudade fica e ficará para sempre. Mas essa vou guardar apenas para mim, porque tu tens uma vida inteira pela frente, tens um mundo à tua espera e a mãe vai estar aqui, vigilante, mas a deixar te voar!

Muitos parabéns, querido Vicente. Tenho muito orgulho em ti e na pessoa que estás a mostrar ser.

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