Ao viajar com filhos aquilo que me custa mais é precisamente o mesmo que me custa quando estou com o Vicente e com a Laura em casa. E é aquilo que me custa quando me apercebi que adormecer a Laura em nada tinha a ver com o adormecer do irmão. Pois aquilo que me custa mais é precisamente adormecê-los em conjunto. Não vou arriscar dizer que é impossível, mas é praticamente. E, ao mesmo tempo, é algo que me deixa um tanto ou quanto triste, pois iria facilitar (e muito) o final dos nossos dias.

Admito, porém, que este sentimento que eu tenho possa ser a consequência da expectativa que eu própria criei. Logicamente que, quando soube que ia ter um segundo filho, imaginei como passariam a ser os dias como mãe de dois. E quem não se habitua a ver a imagem “perfeita” da mãe que beija a testa de um filho e do outro, que aconchega as mantinhas, apaga a luz e sai do quarto, deixando-os aos dois serenos e praticamente a dormir? Podemos não admitir, mas se os irmãos vão partilhar o quarto, lá no fundinho, esperamos que isso seja uma coisa mais boa do que má. Correcto?

Quando a Laura nasceu e durante todo o tempo em que amamentei, a Laura dormiu comigo na minha cama. Como ela sempre mamou muito durante a noite, a certa altura o co-sleeping foi a única solução viável para que eu pudesse dormir. E acreditem que a dado momento isso tornou-se um caso de vida ou morte para mim.

Como tal, inevitavelmente, era sempre eu a adormecer a Laura – com a maminha – e era sempre eu a ir lá de cada vez que acordava, com a maminha. Quando terminou a amamentação, passou a ser o meu marido a adormece-la ou mesmo a avó. Era mais fácil para ela e para mim. Contudo, o adormecer da Laura são horas com ela a brincar em cima de nós. Há alturas em que é frustrante, pois a nossa noite resume-se a estar ali com ela, parados, a tentar que ela adormeça – sendo que muitas vezes somos nós a adormecer em primeiro lugar.

Nessa fase, a Laura foi para o quarto dela (e do irmão) e o Vicente, que não pode esperar que a irmã adormeça, vai para a cama dos pais. Contudo, ele próprio que adormecia sozinho, com tudo isto, deixou de o fazer. Mas ele é “tiro e queda”, adormece rápido, tranquilo e dorme até ao dia seguinte. Acorda muito cedo, mas quanto a isso já estamos mais do que habituados.

Em casa, esta rotina funciona, embora seja muito cansativo para todos nós, sobretudo porque nos limita no tempo que depois, eu e o meu marido, passamos juntos. Muitas vezes, cada um adormece com o filho respectivo e só nos voltamos a encontrar no dia seguinte.

No entanto, quando estamos fora de casa, seja um quarto de hotel e uma casa como esta na qual estamos agora e que tem apenas um quarto, mas que é mais do que suficiente para a nossa família, que tudo se transforma num pequeno caos. São momentos de deixar um pai e uma mãe à beira de um ataque de nervos. E antes de vos ouvir, deixem-me dizer que eu pratico a “parentalidade da tábua rasa” – nome que eu própria lhe atribui – no sentido em que não julgo um dia pelos outros.

A cada novo dia, eu estou sempre de energias renovadas e não parto já derrotada. Mas a Laura não colabora com ninguém, descredibiliza-nos por completo, não respeita a nossa autoridade e nós estamos completamente feitos!!!

Mas eu gostava realmente de conseguir dar a volta a isto e de conseguir que adormecessem juntos, ao mesmo tempo, sei lá… Tenho para mim que seria algo que ia melhorar muito a qualidade das nossas noites. Sendo que os dois começam os preparativos para se irem deitar por volta das 20h30 e que o Vicente adormece sempre mais rápido que a irmã.

Gostava bastante de ouvir a vossa experiência, mas do que qualquer outra coisa. Mães e pais que tenham vivido algo semelhante que conseguiram dar a volta à questão ou, então, não. Se calhar descobriram que não resultava de todo.

Bom Dia.

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