Quando surge a segunda filha é importante dar espaço para deixar fluir a relação entre irmãos. E isso quer dizer, entre outras coisas, deixar que eles resolvam as suas próprias brigas. É conter a vontade em intervir assim que primeiro chora ou vem em nossa direcção em busca de auxílio. Deixar fluir a relação entre irmãos é nunca tomar partidos, é delegar a responsabilidade de serem eles próprias a reflectir sobre as coisas e a entenderem-se. Deixar fluir a relação entre irmãos é, no limite, ser o equivalente a um moderador num debate. Estamos ali para orientar a discussão e apenas quando estritamente necessário, tomar uma posição.

Por muito que eu vos diga que os meus filhos se adoram é inevitável chegar o dia em que começam os atritos, as discussões, as implicâncias e até as lutas entre eles. E aqui em casa já chegamos a essa fase. Não somos a excepção à regra, tal como os meus pais também não foram. De vez em quando, fazem-se flashs na minha cabeça e eu recuo, por segundos, uns bons anos atrás. Nesses momentos consigo ver nitidamente a expressão da minha mãe quando se deparava com uma briga entre mim e a minha irmã. Talvez seja a mesma expressão que eu faço agora, quando me queixo que não conseguem estar cinco minutos seguidos a brincar, sem que um grite e o outro chore.

Mas, ao mesmo tempo, é incrível ver a forma como se dão, como a Laura – meia maria-rapaz – alinha (e provoca) com o irmão nas brincadeiras mais arriscadas e mais tolas que ele tem. Brincam ao judo, às corridas que terminam a atirarem-se para o chão e eu sei lá mais o que inventam.

Outras vezes dão as mãos, contam segredos um ao outro e abraçam-se. São estes os momentos que se intercalam com os outros mais stressantes, barulhentos e de completa anarquia. Todavia, é precisamente nos momentos bons em que as brincadeiras escalam, em que perdem a noção de quando parar e ignoram por completo os avisos que lhes faço.

Ando numa fase extenuante com o Vicente e com a Laura, já partilhei com vocês, e é me difícil conciliar o facto de estar com eles e as exigências com tudo o resto. É fácil esquecer que alguém me ligou e eu não ouvi a chamada, é fácil perder o timing para qualquer coisa que devia fazer e que não fiz. Há dias em que só ouço gritos e já disse que, na nossa casa, existe um problema com o nível dos decibéis – que estão em níveis muito elevados.

Não me obedecem com facilidade e são cúmplices perfeitos quando se trata de fingir que não ouvem o que eu digo, o que eu peço ou quando se esquecem do que é para fazer. Porém, o Vicente só ficou assim a partir dos 3/4 anos, a Laura ainda nem sequer tem dois anos. É suposto ser assim? É suposto sentir que a nossa autoridade com o segundo filho é muito menor ou que simplesmente não funciona tão bem quanto com o primeiro?

Não sei se é suposto, mas com a minha segunda filha sinto que lhe ensino muito pouco e que o efeito da minha autoridade, enquanto mãe, tem barreiras, sobretudo quando é ao irmão que ela procura e em quem ela se refugia. É capaz de fingir que não me ouve e chamar pelo irmão, numa espécie de procura de aprovação ou, então, de uma forma de se escapar ao sarilho. E a verdade é que se escapa e sem que eu saiba bem como.

A minha segunda filha, que ainda não tem dois anos, é tão despachada e esperta que às vezes até assusta. Tem um “Nenuco”, que é o seu bebé e que não larga e em quem ninguém toca. Fora isso, é com os brinquedos do irmão, os carros, e com o lego que ela brinca. Também não preciso ensiná-la a fazer um puzzle ou qualquer outra coisa, porque ela já observou o irmão tantas vezes que agora já faz sozinha. A segunda filha ainda sempre um passo à frente e, muitas vezes, inclusivamente de nós, os pais.

Como foi a experiência com os vossos segundos filhos? Também sentiram esta diferença abismal entre o primeiro e o segundo?

Entretanto, volto a partilhar as dicas da Psicóloga Tatiana Louro a respeito da relação entre irmãos para que se está a aventura agora nesta fase: Dão-se Bem Ou São Irmãos?! | Colaborações Psicóloga Tatiana Louro

Boa noite.

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