Viajar com crianças não é assim tão complicado quanto possa parecer e, se há conselho que eu vos dou sem ser preciso pensar muito, é: programar! Programar a viagem, a bagagem, o destino e até o vosso dia-a-dia (este mais ou menos). E logo, de seguida, o segundo conselho que vos dou é: arrisquem!

Viajar é das experiências mais fantásticas que podem proporcionar às crianças e que faz um bem danado à família. Às crianças, permite-lhes alargar horizontes, tornam-se mais conscientes de que existe mais mundo além daquele onde diariamente se movem, fá-los mais aventureiros e sem medo do desconhecido. E isto é quase um “life goal” para mim, enquanto mãe. Aliás, eu própria estou a descobrir o mundo com eles e através das experiências que juntos vivenciamos. Para as famílias é óptimo para estreitar os laços, uma vez que estamos mais descontraídos e disponíveis uns para os outros.

Como já vos disse, viajar com crianças é algo que faço desde que o Vicente tinha três meses de idade e já passamos por praticamente todas as experiências: o avião, carro e comboio. Obviamente que, quando não temos limite de bagagem ou de peso, a tendência é para nos esticarmos um pouco na quantidade de coisas que levamos, mas também vos digo que isso só nos vai atrapalhar mais. O objectivo é aproveitar ao máximo esses dias e, como tal, é preciso simplificar o dia a dia, agilizar as rotinas para que os dias sejam melhor aproveitados e para que os passeios sejam os mais fluídos e descontraídos possível.

Noto que, a partir dos 4 anos de idade, o Vicente despertou por completo para o que está à sua volta e posso dizer que é já uma óptima companhia de aventuras. Contrariamente ao que acontece quando são ainda bebés, com os quais a logística é sempre mais difícil e menos flexível, a partir destas idades todos desfrutamos cada vez mais. Na minha opinião, temos de ir de espírito aberto e conscientes de que talvez não façamos tudo aquilo que tínhamos planeado (o segredo é não planear em demasia…). Com crianças, os dias são igualmente mais curtos e talvez não consigamos visitar aquele monumento ou museu que vem em todos os guias. Vão perceber que não vai valer a pena saturar as crianças com as horas em filas de espera.

Mas, pelo contrário, vão passear muito mais, vão fazer longos passeios a pé, enquanto esperam que a criança adormeça no carrinho. E com isso, quem sabe, viver a cidade que visitam de uma outra forma até menos stressada do que se tivessem ido com uma lista de sítios turísticos para visitar.

As minhas dicas essenciais para viajar com crianças:

  1. Como disse acima, arrisquem, por mais complicado que possa parecer (e que, na verdade, não é), no final, vão perceber que valeu muito a pena terem “arriscado” viajar em família;
  2. Vão com tempo. Não se esqueçam que viajar com crianças é viajar com uma grande probabilidade de acontecer algum tipo de imprevisto. Pode ser preciso mudar uma fralda, dar comida, de mamar… Por isso, não arrisquem em ir com o tempo contado. No aeroporto, levamos muito mais tempo a passar no controlo de segurança, levamos mais tempo a entrar e sentar no avião, por isso, também não tenham pressa em entrar ou sair. Se fizerem tudo com calma e tranquilidade, vocês não stressam, as crianças não stressam e vocês não stressam com as crianças. E vão com calma, sobretudo, se este for um ambiente com o qual vocês próprios estão pouco familiarizados;
  3. Não levem bagagem a mais. Uma semana antes, comecem a anotar tudo o cada um precisa num dia e com base nisso sintetizem. Por exemplo, nos cuidados de higiene, optem por produtos multifacetados que possam ser usados em mais que uma parte do corpo e na roupa, percam um pouco de tempo, mas façam conjuntos para todos os dias e vejam que peças podem ser usadas mais do que uma vez;
  4. Planear os horários dos voos. Isto foi algo que eu sempre fiz com o Vicente. Tentar encontrar voos que coincidissem com a hora de dormir. Por experiência própria, é muito chato ter um bebé ferrado a dormir e ter que o tirar do carrinho para passar o controlo de segurança. Pode ser logo meio caminho andado para ficar todo baralhado e rabugento;
  5. Alojamento: Hotel ou AIRBNB. Neste momento, para nós, já se torna desconfortável ficarmos os quatro num quarto de hotel. Se bem que, na hora do pequeno-almoço, todos se esqueçam disso. E desta vez, vamos, pela primeira vez ficar num AIRBNB, porque também, em termos de preço, não tem comparação. Logo vos contarei como correu esta experiência. De qualquer forma, tanto num caso como noutro, uns dias antes, contactem o local onde vão ficar e façam todas as perguntas que são importantes. Alguns Hotéis providenciam refeições especificas para bebés desde que avisados antecipadamente;
  6. Transporte do bebé: carrinho, alcofa, pano ou marsúpio?! Acima de tudo, garantir que andam confortáveis, que o carrinho é cómodo, que reclina para descansarem. Eu recomendo levarem também um pano ou porta-bebés, dependendo do tamanho e peso da criança, pois facilita a visita a um monumento ou museu, por exemplo. Regra geral, existe sempre um bengaleiro onde podem deixar as vossas coisas, incluindo o carrinho e os casacos quentes, para poderem desfrutar mais tranquilamente da vossa visita;
  7. Não alterar em demasia as rotinas, sobretudo a hora das refeições e da sesta. Não comer e não dormir são os dois maiores factores de stress nas crianças;
  8. Criar uma espécie de protocolo na forma como se organizam. Dessa forma, os dois sabem onde procurar e onde guardar as coisas. E tenham com vocês um compartimento só para as refeições, outro para a muda da roupa, outro para a fralda (pronto a levarem com vocês), sem esquecer os objectos aos quais são mais ligados, como a chucha ou o boneco preferido;
  9. Ter sempre comida e água com vocês. A fome e o sono, repito, são dois dos principais motivos que irritam as crianças e numa cidade desconhecida podem levar algum tempo a encontrar um restaurante ou outro local adequado para fazerem uma refeição. Não stressem se o vosso filho comeu dois iogurtes na hora que devia estar a comer a sopa, pois são poucos dias e, desde que tenham assegurado alternativas equilibradas, o importante é andarem bem;
  10. Formas de os entreter durante as viagens. Sejam com aplicações no Ipad (vou fazer um post sobre isso), livros de colorir ou jogos. Aconselho a não levaram nada com peças pequenas ou peças em separado que possam cair e que vos obrigue a terem que se levantar naqueles lugares já de si apertados para viajarem sozinhos quanto mais com crianças ao colo.

Ainda não estou na fase de fazer as malas, mas dada a altura do ano, um outro aspecto a ter em conta é o tipo de roupa que vou levar. A boa notícia das cidades mais frias é que todos os edifícios e espaços comerciais são aquecidos e, por isso, é muito importante ter um casaco bem quente, cachecol, gorro e luvas e um bom par de sapatos para andar na rua e, para além disso, para os miúdos vou comprar calças térmicas. No carrinho da Laura vou levar um saco que vai ser o suficiente (sem esquecer as capas da chuva).

Eu e o meu marido andamos com uma mochila que tem o nosso kit de sobrevivência, arrumado de acordo com o protocolo: muda da fralda; comida; água; objectos que eles adorem muito e que os acalmem, chapéu de chuva. Obviamente que eu própria vou levar roupa o mais prática possível, pois é certo que vou ter que andar com eles ao colo, apanhar chuva, baixar e levantar muitas vezes.

Espero que estas dicas vos sejam úteis da próxima vez que pensarem em viajar com crianças. E, já agora, qual o próximo post que gostavam que escrevesse sobre este tema: “viajar com crianças”? Deixem nos comentários 🙂

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Boa noite!

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