A maternidade não se resume apenas a momentos de felicidade ou a sentimentos de amor e de alegria. Nem tão pouco se resume aos momentos idílicos que vemos em fotografias, em que as crianças parecem saídas de um quadro perfeito e harmonioso: crianças alegres, bem comportadas, silenciosas e que não fazem uma birra! A maternidade, às vezes, é precisamente o oposto de tudo isto e nem sempre nós – as mães e os pais – conseguimos manter o sangue frio e o estado de espírito que desejaríamos.

Com toda a sinceridade vos digo que há fins-de-semana bem complicados, dois dias que parecem uma durar uma eternidade e, ao mesmo tempo, passam a voar. Por um lado, é a nossa vontade de fazer coisas com eles e, por outro, são eles que – vá-se lá saber porquê – boicotam tudo a toda a hora. Nesses dias, faça-se o que se fizer, tudo está mal, nada satisfaz, nada cai bem, nada é suficiente e, a partir daí, tudo o que se consegue é em sacrifício e depois de negociar até perdermos toda a nossa paciência e capacidade de argumentação.

Nesses momentos, é inevitável sentir uma certa frustração, uma incapacidade de passar aquela barreira por mais se que leia e que se estude os princípios da parentalidade positiva. A dificuldade impregnada em tudo o que se alcança, dá-nos uma vontade de ceder ao mais fácil e deixar estar tudo como está. E hoje foi um desses dias. Acordamos decididos a sair de casa cedo, ir ao brunch, seguido de um programa a pensar neles. E se até estávamos a conseguir despachar-nos cedo para aproveitar o dia, começámos logo a ter que negociar com o Vicente a saída de casa. E enquanto jurava a mim mesma que ia conseguir dar a volta à questão sem levantar a voz, já eu tinha subido o tom de voz. Raios!!! Dei meia volta e fui arejar a cabeça e evitar o confronto.

Chegámos ao brunch e passámos do entusiasmo com a ideia de ir comer fora, para uma birra porque queria beber leite com chocolate – coisa que ele nem gosta, mas só porque ouve a palavra chocolate, acha que tem que bater o pé para ter. De um momento para o outro, já o Vicente a Laura andavam a cair e fazer birras por tudo e por nada, ao mesmo tempo que, eu e o meu marido finjimos saborear a refeição. Raios!!! O que estava eu a fazer de mal?! Bom, mas enquanto as coisas lá se compunham com a ideia de ir ver o Dinossauros, já tinha eu o Vicente agarrado a mim, a gritar que lhe doía a língua. Em segundos, fez-se luz na minha cabeça e pedia-lhe para abrir a boca. UEPA! Língua às pintinhas brancas e um domingo ainda pela frente, que se avizinhava promissor. Entre a indefinição de ir para as urgências, fomos tranquilizados pela pediatra – finalmente, encontramos um profissional de saúde verdadeiramente prático e disponível.

Resolvemos o assunto com uma ida à farmácia e sem dinossauros à vista, pelo menos um passeio pela baixa da cidade, já que estávamos ali perto, para desanuviar e não pensar no facto de poder ser altamente contagioso para a Laura. Conseguimos distrair-nos e aproveitar um pouco da tarde de domingo, mas já a fazer contas à semana que se avizinha, com mais uma criança em casa – que supostamente tenho que manter afastada da outra criança.

A maternidade não é a coisa cor de rosa que nos fazem crer, é uma alteração profunda nas nossas vidas, em que o centro e a prioridade deixamos de ser nós para passarem a ser eles. Aprendemos a reorganizar a vida ao momento, a viver na instabilidade de que tudo o que temos planeado e dado como certo, pode ter que ser alterado em segundos e sem “mas”.

Adoro os meus filhos mais do que tudo na vida. O seu abraço, o seu beijo, o calor do seu corpo… tudo neles me fascina, me alimenta e me dá força. Jamais pensaria em voltar atrás! No entanto, não é por isso que sou obrigada a dizer que todos os dias são bons, que sou obrigada a ignorar o cansaço que sinto, muitas vezes, suscitado pela saturação das rotinas ou a ignorar a exigência que imprimem aos meus dias, setes dias por semana, 24 horas por dia. Aquilo que nos salva é a enorme capacidade de adaptação que descobrimos ter, porque, meus caros, a maternidade é só para os rijos!

 

Boa noite!

 

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