Às vezes tenho perfeita noção de que esta coisa de ser mãe (e pai) nos leva a pedir coisas um pouco absurdas aos nossos filhos. Talvez porque a responsabilidade de educar uma criança nos leva a tratá-las como se de pessoas adultas se tratassem, com o entendimento de pessoas com todo um outro nível intelectual e de maturidade.

Tentamos impor regras para as suas próprias brincadeiras; sentamo-nos com eles munidos com todas as instruções dos jogos, seguimos à risca os modelos que acompanham apenas para servir de exemplo. Quando, na verdade, as brincadeiras servem maioritariamente para estimular a criatividade, a concentração e o convívio na família.

Pedimos que falem demasiado baixo, que gesticulem pouco, que falem de menos, que adormeçam em segundos, que comam tudo, sem pensarmos que nós próprios nem sempre temos a mesmo apetite. Exigimos a perfeição quando ela não existe nem para nós próprios.

Usamos frases demasiado complexas, sem pensar que algumas das palavras eles nem sequer sabem o que quer dizer. Esquecemo-nos que estamos perante um ser humano que tem estados de humor que também oscilam; dizemos que só avisamos mais uma única vez, como se eles tivessem a capacidade de perceber tudo o que lhe dizemos e, sobretudo, de fazer tudo o que lhe pedimos.

Somos pais, por vezes, um pouco ditadores que nos importamos mais em exigir do que em aproveitar um tempo que não volta atrás e que passa à velocidade da luz. Ser mãe de dois tem me trazido alguma tranquilidade neste aspecto. A fera das rotinas foi forçada a entender que não existem princípios universais e que somos nós a ter que nos adaptar a personalidade de cada filho, ao invés serem eles a ter que se adaptar à nossa.

Estaremos sempre a rumar contra a maré caso entendemos que o nosso papel é impor regras, explicar o que está certo e o que está errado a toda a força. Se nos colocarmos no lugar deles, facilmente percebemos que nós próprios não seriamos capazes de fazer aquilo que muitas vezes exigimos.

Às vezes tenho perfeita noção de que esta coisa de ser mãe (e pai) nos leva a pedir coisas um pouco absurdas aos filhos. Vocês não?

E a propósito deste assunto, quem se lembra deste post: Filhos: os primeiros (e exigentes) anos são para os pais ?

Boa noite.

 

 

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