Quem mais tem filhos que pressentem o vosso estado de espírito? Filhos que vos olham como se vos estivessem a ler a vossa alma e que, depois, não vos largam nem por um segundo se percebem que algo de errado se está a passar com vocês?

Cada filho é um filho e certamente que cada um terá a sua própria ligação especial com a mãe e/ou com o pai. No caso do Vicente, existe sempre existiu uma ligação muito forte e quase espiritual entre nós – vá lá, os mais cépticos não me gozem 🙂 – mas há qualquer coisa naquele miúdo que faz com que ele saiba sempre quando estou mais em baixo ou quando estou a precisar de apoio emocional.

Se, no entanto, eu quiser procurar explicações mais objectivas, poderia apontar o facto de, até aos seus dois anos de idade, termos vivido ineterrumptamente os dois; ou, então, o facto de ser um menino e de se dizer que eles têm uma relação especial com as suas progenitoras; ou ainda, o facto de ser um menino muito meigo e dado ao contacto físico e ao “mimo”. Poderia tentar encontrar outras mil justificações mais objectivas para o facto do Vicente, desde muito cedo, saber demonstrar um apoio emocional bem acima daquilo que seria o esperado para a idade dele.

Lembro-me perfeitamente, por exemplo, da véspera da sua festa de aniversário dos três anos, estava eu gravidíssima da Laura. Nesse ano, deixei tudo literalmente para a fazer no dia antes à noite, só não estava a contar que a minha Bimby falecesse. Logo quando começo a fazer o primeiro bolo apercebo-me que todo o liquido escorria por debaixo dela. Foi o pânico e tive um momento em que explodi com as hormonas e todo o stress. Estava a chover torrenvialmente, era tarde, mas eu resolvi tentar chegar à loja antes de fechar. A minha mãe tentou ficar com o Vicente, no entanto, ele chorava a dizer que vinha comigo. E assim foi, lá fomos os dois. O que é certo é que tendo a companhia dele por perto, fez com que eu me acalmasse e, no final, tudo acabou bem.

Mais recentemente, tive uma lesão muscular um pouco séria e tive que ir de urgência resolver o problema. Consegui hora com um massagista e o Vicente insistiu para vir comigo. Entretanto, já no regresso a casa, vira-se para mim e diz “mamã, tu não gostavas de ter vindo sozinha, pois não?” … Claro que não, meu filho. Afinal, quem é que gosta de ir ao médico sozinho quando tem um dói-dói muito grande? Ninguém, não é verdade?

Nestes últimos dias, em que tenho andado menos bem, sem, no entanto, o demonstrar verdadeiramente perante os meus filhos, o Vicente tem sido uma presença constante junto de mim. Ele procura para me dar muitos beijinhos, diz-me inúmeras vezes o quanto gosta de mim e pergunta-me muitas vezes se pode brincar junto de mim para me fazer companhia.

Estes são apenas exemplos, existem tantos outros. Nem sempre eu me consigo aperceber da grandeza das suas atitudes, especialmente quando estou mesmo no momento da tensão. No entanto, a realidade é que o meu filho de apenas quatro anos tem a capacidade, que muitos adultos não têm, de apoiar o outro, de demonstrar o carinho e o afecto que sente, de dar de si para ajudar alguém. E isto é uma qualidade magnífica que o transofrma num ser humano muito especial e que sorte de quem se cruzar com ele e poder ser tocado pela sua “magia”.

Quem tem filhos mais do que especiais? 🙂

Boa noite.

P.s: A Laura também uma filha mais do que especial e tem a sua própria magia também.

E , antes disso, já tinha escrito também: Vicente, o menino que ele verdadeiramente é

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