Sabiam que sensivelmente mais de 80% dos jovens portugueses se encontram dependentes do mundo digital?  Na verdade os nossos jovens (e muitos adultos!) estão quase ligados minuto a minuto e ainda que não existam muitos estudos no que se refere à dependência, por exemplo, dos jogos por parte das crianças, sabe-se já que os sintomas apresentados quando falamos de dependência são em muito semelhantes aos apresentados na dependência das drogas e do alcool.  Verdade!

De facto, e explicado de uma forma muito simplista, jogar frequentemente faz com que os nossos jovens sintam um “prazer” imediato e voltem a jogar para reduzir a ansiedade gerada pela impossibilidade de jogar no momento, o que em termos cerebrais ativa o mecanismo da recompensa, que é o mesmo circuito ativo nas dependências que conhecemos. Assim, instala-se uma bola de neve que se auto-alimenta: quanto mais se joga, mais prazer imediato se tem e, quanto mais prazer maior a ansiedade perante a ausência de jogar – o circuito fica assim se quiserem “montado”.

Claro que, normalmente, as nossas crianças e os nossos adolescentes não aceitam que o “vício” do jogo se esteja a tornar um problema, até porque como em qualquer outra dependência o mecanismo de defesa entra em acção  –  a negação: “eu não,…, eu não preciso de ajuda”,”eu páro quando eu quiser”.

Por estas razões e por vivermos numa era cada vez mais digital, todos os agentes educativos – todos sem exceção – devemos estar atentos a possíveis sinais de dependência nos nossos filhotes ou nos nossos conhecidos, como por exemplo:

  • Parece existir um uso abusivo da internet?
  • Parece aumentar a irritabilidade perante a impossibilidade de estar on-line?
  • Aumentou\agravou o isolamento social?
  • Costumam existir mentiras acerca do tempo dispendido nas plataformas digitais?

Especificamente no caso dos jogos eletrónicos, devemos prestar atenção a:

  • o jogo ocupa cada vez mais lugar na vida daquela criança/jovem;
  • a criança ou adolescente está mais agressivo e irritado na imposibilidade de jogar;
  • a criança ou adolescente sente-se alivido por poder jogar e faz tudo para não perder o jogo;
  • ocorreu uma diminuição significativa nas suas atividades sociais.

Esta temática é, de facto, extremamente importante se pensarmos que as consequências para a vida dos nossos jovens são múltiplas, como por exemplo:

  • difiuldades em adormecer à noite ou sono agitado;
  • alterações no padrão alimentar;
  • baixa auto-estima;
  • dificuldades no relacionamento com os pares;
  • maior probabilidade de problemas comportamentais e do aparecimento de perturbações do humor;
  • maior probabilidade de um comprometimento negativo nos desempenhos escolares.
  • Dificuldade em lidar com a frustração.

Convém não nos esquecermos que a dependência dos jogos pode acontecer independente da idade cronológica, o que significa que pode ocorrer em qualquer idade desde as crianças, aos adolescentes/jovens até aos adultos e , em caso de dúvida, se deve procurar um profissional especalizado pois a solução não passa por retirar drasticamente o computador ou o acesso ao mundo digital,  mas sim por incentivar o jovem a praticar gradualmente atividades alternativas e prazerosas, fazendo um uso equilibrado destas.

Tudo com peso, conta  e medida vale a pena, pois não podemos também descurar que os jogos e a internet proporcionam o acesso a conteúdos e a aprendizagens muito importantes. Para que tudo corra pelo melhor partilhamos ainda algumas dicas:

  • Esteja atenta;
  • Controle quanto tempo passa na internet e quanto desse tempo é a jogar;
  • Perceba que tipo de jogos, joga;
  • Avalie como lida com a impossibilidade de jogar;
  • Perceba que ocorreu alguma mudança significativa no seu padrão alimentar, de sono, social e pessoal.

É inegável o poder do mundo digital na sociedade em geral e, muito em particular, nos segmentos mais jovens da população e começam cada vez mais cedo a mostrar interesse e propensão para tal. Com efeito, o papel dos pais passa por uma actuação consciente de que não podemos retirar os jovens desse mundo, porém, é preciso controlar e garantir algum equilíbrio, sem esquecar de enfatizar tudo o resto que faz parte da nossa dimensão humana.

Boa tarde.

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