Sou mães de dois filhos e o segundo veio baralhar completamente tudo aquilo que já tinha dado como adquirido. A Laura é a filha que me veio desafiar e testar a sério as minhas capacidades e habilidades para exercer o meu papel e autoridade enquanto mãe. Sabia, enquanto mãe do Vicente, que tinha muita sorte com aquele filho e fazia questão de o lembrar ao meu marido muitas vezes. Aqui não se trata de comparações entre um e outro. Trata-se apenas de reconhecer a personalidade de cada um e a forma como nos temos que moldar a cada um, de forma a conseguirmos dar-lhes a educação que queremos.

Sei que não quero ser a mãe autoritária, nem tão pouco quero ser a mãe que levanta a voz para se fazer ouvir ou para tentar ser respeitada. Embora, muitas vezes seja inevitável sê-lo. E, por isso, sinto que tenho ainda muito a aprender pela frente. A Laura é obstinada e só faz aquilo que ela quer, embora tenha uma capacidade supreendente de entender tudo aquilo que lhe dizemos e desde que completou um ano que sinto que a minha bebé ficou ali. Seja no seu jeito desenrascado de se mexer de um lado para o outro, na sua capacidade de raciocínio ou na sua forma de se expressar, quem estiver com a Laura não se consegue lembrar que está perante uma criança de apenas um ano e meio.

E como se não bastasse a sua personalidade, sinto-me como se me fosse mais difícil impor-me com o segundo filho (e consequentemente com o primeiro). Com todas as excepções que fomos fazendo até conseguirmos encontrar as nossas rotinas a quatro, sinto que me tornei um pouco mais permissiva. Acho graça e rio-me com mais facilidade de coisas que não devia, cedo mais vezes para conseguir fazer certas coisas quando estou com os dois. E, no final, sinto que é mais complicado ter o controlo da situação.

Acho (agora) que deve ser um pouco por isto que se diz por aí que os segundos filhos são mais mimados do que os primeiros ou que os pais permitem mais coisas do que quando tinham apenas um filho. Enquanto isso, sinto que tenho um filho (mais velho) que é super atinado e cumpridor das regras e do que se lhe pede e outra filha que é o oposto. E a certeza que eu tenho é que não quero que o Vicente cresça a sentir que com a irmã somos mais flexíveis ao contrário do que acontece com ele.

Para mim, é aqui que começam os desafios, na gestão desta relação entre eles e deles com o pai e com a mãe. Uma das minhas estratégias, se assim lhe quisermos chamar, tem sido a de tentar aproveitar a boa influência do Vicente na irmã. Já lhe expliquei que não podemos achar graça quando a irmã atira comida para o chão, da mesma forma que ele não pode permitir que ela lhe tire todos os brinquedos. Estes são alguns exemplos. No fundo, procuro equilibrar as coisas sem haver um tratamento especial da “bebé”, sacrificando sempre o mais velho.

Enquanto mãe de dois filhos, tentei reunir algumas daquelas que me parecem ser as principais dificuldades:

  1. Aceitar que não vamos viver as experiências do segundo filho tal como fizemos com o primeiro. Para além de não ser novidade e, por isso, estarmos mais relaxadas, é tudo partilhado logo desde a gravidez. Os momentos a dois, passam a ser a três e as atenções são repartidas.
  2. Conseguir separar tento em exclusivo com o filho mais velho, mas também com o mais novo. E também na medida certa, pois, às vezes, sofremos de excesso de zelo sem necessidade.
  3. Estimular a relação de irmãos sem forçar e sem intreferir demais. Eu sou completamente contar o dizer “Vais tomar conta da mana?”, “Vais brincar com a mana?”, “Vais ajudar o pai e mana?”, “Tens que te portar bem que a mana é bebé”. E fico passada quando dizem esse tipo de coisas ao Vicente. Os cuidados da irmã não são da sua responsabilidade, se quiser ajudar, ajuda. Tal como as brincadeiras, eu tenho que respeitar se o Vicente quiser brincar sozinho, até porque as idades são diferentes e é normal que tenha momentos em que precise de brincar à sua maneira dele sem ter um bebé constantemente a destruir o que ele está a fazer.
  4. Tentar que o bebé não monopolize a vida e as atenções de todos em família, sobretudo a do filho mais velho. Torna-se mais fácil agora com esta idade (um ano e meio) em que já são mais independentes e autónomos.
  5. E, por fim, é abismal a diferença de tempo que nos consome o facto de termos dois filhos. O tempo para nós e até para as coisas normais da casa reduz drasticamente.

Muito resumidamente, foram estas, as cincos dificuldades que encontrei enquanto mãe de dois filhos. Gostava muito de ouvir também as vossas.

Em Julho, cheguei a partilhar qual A nossa rotina mais difícil com dois filhos. Lembram-se?

 

Boas noite.

 

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