Outubro de 2016 marcava o início de um dos momentos mais angustiantes (e importantes) da minha vida. E, embora, eu tivesse as minhas certezas e as minhas motivações, romper com o convencional e com o que é esperado pela sociedade ainda tem um preço a pagar. Infelizmente, não há como não sermos ainda olhados de lado, julgados e até criticados. Mas, para mim, o mais grave ainda é toda a energia negativa que as pessoas, mesmo de forma insconsciente, emanam.

O quê, vais-te despedir?

Mas isso do blogue é sério?

Vais depedir-te e já pensaste o que vais fazer depois?

E o seguro de saúde? E o empréstimo da casa?

No entanto, aquilo que importa, na verdade, não são os outros. Aquilo que importa para mim – e para quem como eu é levado por caminhos muito pouco convencionais para a vida se encarregue de nos fazer chegar ao nosso destino – é conseguir ter a maturidade e o estado emocional para nunca deixar de acreditar em mim e naquilo que eu consigo fazer por mim mesma. É igualmente necessário encontrar o meu espaço nesta sociedade tão carregada de preconceitos, procurando rodear-me das pessoas certas, aquelas que emitem as boas vibrações, que me inspiram e que fazem parte deste “meu” mundo.

E para quem me questiona a respeito da minha coragem ou sobre como consegui, aquilo que vos posso dizer é que não existe outra forma de fazer este caminho a não ser caminhando, dia após dia. Ter sensibilidade para captar coisas aparentemente insignificantes, para estarmos devidamente conectados com o nosso corpo e os nossos sentidos, pois é ele que nos dá grande parte das respostas que precisamos. É por isso que, de vez em quando, sinto necessiade de fazer aquilo a que eu chamo um “detox de mundo”.

E agora em Outubro de 2017, um ano depois, fico feliz por ter aceite a oportunidade de mudança que a vida me estava a oferecer. Tantas coisas têm acontecido, umas boas, outras menos, mas o importante balanço é que me sinto cada vez mais próxima do meu eu. E talvez seja isso que me permite ter uma segurança, por vezes, assustadora de me sentir uma espécie de uma alma solitária, porque, na verdade, eu tornei-me suficiente para mim, vivo bem comigo, aceito-me como sou, aprendi a reconhecer e a trabalhar defeitos e também a valorizar qualidades. Acima de tudo, não me permito estar muito exposta a opiniões negativas, não permito que coloquem a dúvida na minha cabeça. Acham estranho ou até vos faz algum sentido aquilo que escrevo?

E ontem, no primeiro dia do mês, um domingo que se seguiu a um sábado particularmente alucinante com tanta agitação, tanto de redes sociais, tanto de pessoas à minha volta, foi preciso fazer o meu detox. Dediquei-me exclusivamente ao meu mundo, a família, a amigos especiais (a outra família que escolhemos), com tempo de qualidade e sem preocupações em estar na rede. Sem esquecer de exercer o direito de voto, claro.

E é assim, de alma nutrida, que recebi este mês de Outubro, crente de que irei continuar a evoluir nesta forma de vida que aceitei. Continuo sem certezas absolutas quanto ao dia de amanhã e muito menos ainda relativamente ao futuro. Porém, o meu caminho é feito de pequenas certezas. Uma delas é, sem dúvida, a de que confio nos motivos que me fizeram chegar até aqui e que continuam a fazer-me evoluir, todos os dias, a todos os níveis Se tenho medo? Claro que sim, mas nada acontece por acaso e eu aceitei isso para a minha vida.

Boa noite 🙂

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