No sábado fui jantar fora com uma amiga. Práticas, como nós mulheres sabemos ser, decidimos de imediato qual o restaurante onde iríamos e reservámos logo mesa. Admito que não me lembro muito bem da última vez que saí para ir jantar fora com uma amiga, ao mesmo tempo que me recordei como sabem tão bem estes momentos: descontraídos, em que o assunto somos nós – mesmo que invariavelmente os filhos acabem por surgir como tema de conversa.

E a “culpa” não é de ninguém para além de mim mesma. Os filhos não me prendem e não é por ser noite que é minha opção ficar de vigia em casa. Contudo, existe uma enorme diferença entre combinar um almoço ou, pelo contrário, um jantar. Há uma nítida diferença na minha força anímica e na minha (própria) vontade em vencer a barreira do cansaço que se abate sobre mim ao final do dia. Especialmente, após sobrevivermos a mais um fim de dia com filhos. São poucas horas, ali por volta das 18h-19h e a hora a que depois vão dormir, aqui em casa, por volta das 21h, mas são o suficiente para ficarmos de rastos, porque é a hora em que tudo pode acontecer, incluindo a poderosa descarga de energia do dia (deles e o nosso). Eu costumo dizer que basta-me apanhar o cabelo, entre os banhos e tudo mais, para desistir da potencial ideia de sair.

Porém, a verdade é que soube-me mesmo bem arranjar, sair, conhecer um restaurante novo (e aproveito para vos deixar a sugestão para quem gostar de comida asiática, fomos ao restaurante SOi – Asian Street Food), conversar, beber uma sangria (simmmmmm, vejam lá a loucura) e, depois, rgressar, já com outro espírito. Claro que, no dia seguinte, acordar custa mais, mas também custa quando tenho uma noite má com um dos dois. Aliás, custa mais este segundo cenário, porque, embora as crianças não tenham culpa, a verdade é que já começamos o dia com um grande défice de paciência.

Para além disso, acho que as mães têm mais facilidade em “abdicar” de certas coisas, quando comparado, por exemplo, com os pais. Talvez por causa do controlo natural e instintivo que assumem e também porque facilmente encontramos outras formas de compensação. Se não der para jantar (porque houve uma birra ou porque está difícil para adormecer ou simplemsente porque estamos de rastos e achamos que não vai compensar) conseguimos encontrar a mesma satisfação num almoço ou num lanche. Mas não é a mesma coisa, o espírito não é o mesmo e é bom não perder a vontade em nos arranjarmos um pouco mais e sair à noite, como gente crescida que, afinal, somos! 🙂

Com essa minha amiga, constatamos que, para que ambas estivessem ali, tínha sido preciso fazer uma série de coisas a correr e outras tantas que deixamos preparadas e organizadas e que é precisamente por isso que é muito fácil ceder e simplesmente não ir. É mais facil tentar marcar um outro programa do que nos obrigarmos a resistir. E porquê ? Afinal, são tantas as vezes que enfrentamos dias inteiros sem termos dormido o suficiente ou com níveis de cansaço e de exigência tão elevados, que fazer um pouco mais (disso) para termos um momento de lazer para nós próprias não será assim algo tão complicado.

Às vezes, é precisamente isso que nos faz falta: arranjar escapes para sair da bolha em que vivemos diariamente, ganhando lufadas de ar fresco para termos mais paciência para os filhos e para as pessoas em geral. Nós bem que nos tentamos convencer que, para haver mais paciência, são eles que precisam portar-se melhor e serem mais obedientes, quando na verdade essa responsabilidade é apenas nossa.

Pronto, agora só é preciso não deixar passar muito tempo entre este jantar e o próximo para que nada disto que estive para aqui a escrever, seja esquecido 🙂

Boa noite!

Ou, em alternativa, fiquem em casa, mas assumam uma posição: 🙂

Desisto de ter a casa arrumada

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