Se ser mãe viesse com livro de instruções, todas nós seríamos, sem dúvida, mães exemplares. No entanto, isso não existe e nem os cursos e ou workshops nos preparam para o que nos espera na realidade. Os bebés, para os quais existem enúmeros livros que se propõem a decifrá-los e tantos outros que ensinam os pais a usaram a parentalidade positiva, nada disso nos salva de, num determinado momento, cedermos e fazermos precisamente o oposto daquilo que defendemos.

Não está errado que os pais e as mães estabelecem em conjunto aquilo que querem para base da educação dos seus filhos. Eu, por exemplo, sou uma defensora das rotinas e das regras e sou exigente com o cumprimentos dos horários. E, quando fui mãe pela primeira vez, funcionou tudo muito bem, pois o Vicente cedo começou a adaptar-se aos horários e eu sabia exactamente como eram os meus dias com ele. Estava super orgulhosa de mim mesma, acreditem!

No entanto, quando a Laura chegou, veio baralhar-me por completo, por momentos perdi o controlo da situação (por querer fazer exactamente o mesmo que tinha feito com o irmão). Havia dias em que questionava-me e penalizava-me por não estar a conseguir fazer o mesmo. Levei tempo até entender que a Laura era um bebé diferente e que, para além disso, agora eram dois em vez de um. Continuo a defender  os mesmos princípios, mas tive que abrir margem para um equilíbrio de todos. Às vezes, sinto-me mais permissa com a Laura e não sei se gosto disso…

No entanto, a única coisa que sei com segurança é que o caminho da maternidade não se faz por linhas rectas e o que hoje achamos ser o errada, mais tarde pode parecer-nos a única solução. E acredito que isto seja a realidade de todos nós, mães e pais, mesmo se tenhamos receio de o dizer, mesmo que seja mais fácil críticar os outros do que admitirmos que também passamos pelo mesmo.

Admitir junto de outra mãe que sim, sim é normal que um dia vás fazer aquilo que antes juraste a pés juntos não fazer. Não te penalizes, nem te culpes por isso. És e continuarás sempre a ser a melhor mãe para o teu filho.

E foi precisamente numa conversa com outras mães, umas de primeira viagem e outras não, em que o tema era precisamente dizermos uma coisa que tivessemos feito – enquanto mães – e que achavamos que nunca iríamos fazer, que chegamos rapidamente à conclusão que somos todas iguais. Todas passamos pelos mesmos dramas. Oram vejam:

10 Coisas que as mães já fizeram, pelo menos uma vez, e que juraram que nunca iriam fazer:

  1. Usar os tablets nos restaurantes para distrair os filhos e conseguir ter uma refeição tranquila. E eu vou dar o meu exemplo, durante as férias fizemos todas as refeições os quatro, sem nada destas coisas. Ora chegamos ao último dia e eu e o meu marido nem precisamos de conversar, levamos o Ipad, que colocamos na mesa depois do Vicente e da Laura jantarem. Só queríamos uma refeição em que conseguissemos estar os dois à mesa ao mesmo tempo e ter uma refeição com um pouco de qualidade.
  2. Ligar a televisão durante as refeições como forma de conseguir convencê-los a comer.
  3. Deixar que o bebé durma na cama com os pais.
  4. Dar aquele alimento proibido antes de determinada idade. Ou, simplesmente, porque não conseguimos dizer não enquanto nos vêm a comer. Ou, então, como desespero porque o bebé em causa não come rigorosamente nada e já se tenta de tudo só para vê-lo comer.
  5. Deixar de amamentar o beber quando começasse a andar.
  6. Continuar a jantar fora com amigos, levando o bebé (saiu um birrento e os programas passam a ser mais agradáveis se forem em casa).
  7. Achar que o nosso filho nunca vai fazer uma birra DAQUELAS no supermercado. Só apetece dizer: LOL 🙂
  8. Achar que as olheiras nas crianças eram culpa dos pais que deitavam as crianças demasiado tarde. Diz a mãe que, mais tarde, teve um filho que não prega olho.
  9. Dizer que sim a tudo o que eles dizem, só porque estamos demasiado cansadas e só queremos que eles terminem o que estão a dizer – esta pode sair-nos cara a partir de uma certa idade 🙂
  10. Ligar a televisão ao fim-de-semana só para podermos dormir mais um horinha, em vez de estar a fazer puzzles ou a fazer construções de lego.

E a próposito das manhãs (madrugadoras). Antes de ser mãe, lembro-me de um amigo nosso dizer que, ao fim-de-semana, deixava um pacote de leite em cima da mesa da cozinha e o comando da televisão preparado. Dessa forma, os filhos acordavam, ligavam a televisão e bebiam o leite sem ser preciso ele se levantar. Óbvio que, na altura, ouvi aquilo e pensei… “olha-me este artista. Onde é que já se viu?!” Hoje em dia, embora não o tenha feito exactamente assim, o n. 10 é nosso! Os meus filhos chegam a acordar antes das 7h da manhã… há um dia em que é preciso accionar medidas extra…

E agora que já se devem sentir mais à vontade, querem acrescentar alguma coisa a esta lista?

E tenho a certeza que irão gostar de ler também:

Essa história da parentalidade positiva

12 Mandamentos para sermos uma mãe amiga de outras mães

 

P.s: Um grande obrigada às mamãs do costume 🙂

Boa noite.

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