Ainda não estou muito habituada a  ter pessoas que me reconheçam, a  mim e à minha família e fico ainda um pouco sem jeito quando sou abordada por alguma leitora, como foi hoje o caso aqui onde estamos a passar férias. Estavam sentados perto de nós, a almoçar, já tinhamos trocado olhares solidários, pois essa é uma das características de passar férias neste tipo de hotéis (familiares): pais solidários com outros pais. Digamos que o Vicente e a Laura estavam especialmente animados e eu particularmente sem energia e sem paciência. Basicamente, é já o cansaço deste longo mês de férias e de invariavelmente sentir que preciso descansar das férias.

Quando me disseram que seguiam  o blog, admito que me senti um pouco constrangida. É como se sentisse a responsabilidade (inconsciente) de ter ser diferente, de os meus filhos serem diferentes. Obviamente que sem qualquer motivo, porque eu sou exactamente igual a todas vós e os meus filhos,  crianças como tantas outras. 

Já estamos no final de Agosto, isto é, já estamos há pouco mais de um mês todos juntos. Decidimos, conscientes de que seria cansativo, que as férias são tempo de qualidade em família, especialmente com os filhos. Afinal, é só um mês. Quando eu era criança, as férias de verão eram três meses e, nessa altura, os meus pais não nos deixavam com mais ninguém. Faziamos-lhe companhia no trabalho e quando chegavam as férias deles, chegavam a ser vinte dias, os quatro. 

Posto isto, quando, hoje em dia, falamos de um mês de férias como se fosse uma eternidade, acho que exageramos. Sobretudo, se tivermos em consideração, o tempo que eles passam na escola durante  todo o ano lectivo. Estou plenamente de acordo com o equilíbrio e que os pais também precisam de tempo a sós, mas não acho que passemos tempo a mais com os nossos filhos. E, por isso, dedico-me a contrariar um pouco isso e, neste mês, aproveitámos ao máximo a companhia uns dos outros – com tudo o que isso tem de bom e de menos bom. 

No entanto, chegamos a uma altura em que já só pensamos no regresso à rotina. E é um pouco nessa fase que me encontro. São cada vez mais as vezes em que noto claramente a minha falta de paciência e os miúdos nada têm a ver com isso. Não é culpa deles, é o meu cansaço e a minha saturação. As crianças são exigentes e exigem demasiado, é assim.

Porém, esta nossa semana de férias neste hotel, é a mais desejada de todas, é programada logo no início do ano, para aproveitarmos os melhores preços e conseguirmos estar aqui. É onde sentimos que conseguimos relaxar um pouco também, tendo alguma qualidade de férias e reduzindo ao mínimo as coisas com as quais temos que nos preocupar. No entanto, este ano, ficou para o finalzinho das nossas férias e já não estamos tão relaxados quanto no início. Já penso mais vezes na minha vontade em passar uns dias sem filhos, peço muitas vezes que falem mais baixo, que não corram, que comam tudo, que não impliquem um com o outro… enfim, exijo deles mais responsabilidade e mais maturidade do que aquela que que eles, na verdade, têm que ter.

Portanto, à família simpática que nos conheceu ao vivo e a cores, com duas filhas com idades próximas do Vicente e da Laura, um grande beijinho. Como comprovaram, podemos ter bonitas fotografias, filhos com ar bem comportado e falar de coisas muito lindas, mas a verdade é que somos tão reais quanto qualquer outra família, com os seus defeitos e com as suas qualidades. Fazemos o melhor para nos darmos o melhor possível uns com os outros e para nos respeitarmos.

E agora, um grande abracinho a todos os pais e mães que sentem precisar de férias das férias. Não é fácil, mas acredito que para eles, só as melhores memórias ficam e é nisso que eu penso quando me sinto à beira do limite.

o fim das férias em família

 Boa noite.

 

Comentários

comentários