Não é que me aborreça ver as fotografias das casas bonitas e tão arrumadas. Não é isso. São fotografias que acabam por me inspirar, especialmente nesta fase em que preciso de fazer algumas alterações cá em casa e, consequentemente, acabar por mudar um pouco a decoração. No entanto, não há como não sentir uma pontinha de inveja porque, neste momento, o grau de arrumação da minha casa fica um pouco aquém daquilo que eu desejaria.

Não há como não pisar uma peça de um lego que foi deixada no sítio mais improvável, ou encontrá-las (algumas já nem consigo perceber onde pertencem), os carros multiplicam-se, a cozinha que nunca é imediatamente arrumada, porque a prioriadade é despachar os miúdos para irem dormir, uma fralda que foi mudada e que foi esquecida porque fomos interrompidos por uma outra coisa qualquer, a incompreensão de que eles não precisam de desarrumar toda a casa para brincar, sobretudo quando acabam por brincar sempre com as mesmas coisas (muito menos do que as desarrumadas), e tantas outras coisas… São as frequentes chamadas de atenção  que nos fazem constantemente adiar as tarefas que tínhamos planeado fazer. Falar em arrumação basicamente, só faz sentido quando o Vicente e a Laura estão a dormir.

Depois, há dias em que o nosso próprio cansaço fala mais alto. Dias em que fingimos não ver o brinquedo que está no corredor, em que desviamos o que está em cima do sofá para conseguirmos estar sentados mais do que cinco minutos, a roupa que fica na “maldita” cadeira dias e dias… Porque, às vezes, precisamos parar. É preciso parar, descansar e não sentir culpa por isso. É preciso esquecer o que estar por fazer e ler duas ou três paginas de um livro, dormir a sesta com eles, sair para jantar fora, ir ao cinema. Às vezes, é preciso parar para… respirar!

Agosto tem sido um mês longo e bastante cansativo. Assumimos que íamos desfrutar ao máximo dos miúdos e, mais do que isso, deixar que eles desfrutassem do pai e da mãe. O tempo tem sido para eles e tem sido muito bom, mas são dias que não sabem exactamente a férias. Eu acho que os pais só descansam quando não estão com os filhos e quando não estão em casa, quando estão longe geograficamente para não sentirem o chamamento pelas tarefas, pelas brincadeiras, pelas saídas. O Vicente e Laura passam os dias a chamar por nós e não têm sequer ficado entretidos a brincar sozinhos.

Ora, quando vejo essas tais fotografias, de casas bonitas e arrumadas de famílias com filhos, não deixo de sentir alguma frustração. Não deixo de pensar no número de vezes que arrumei as mesmas coisas e que mesmo assim, olho à volta e está tudo… desarrumado. Essas casas inspiram-me, mas não podem ser reais – ou são? Não acredito que existam crianças que brinquem sem desarrumar – existem? E não acredito que não vos acontece deixar tudo por fazer como forma de protesto de quem quer sair de sair e ir passear – sou a única? 

Há coisas que me fazem confusão, como, por exemplo, as camas ficarem por fazer o dia todo, a louça fora da máquina e as casas de banho caóticas. Mas, tirando isso, é aprender a destralhar para que a confusão seja o mais controlada possível.

Continua a existir muita pressão nas mães e que nos impede de aproveitar mais a vida. Já tive a casa quase sempre arrumada, tive um primeiro filho que desarrumava pouco. Neste momento, tenho dois e os dois desarrumam imenso, tenho atenção que precisa ser dividida por dois, cuidados a dividir por dois… Sinceramente, resta-me muito pouco tempo para outras coisas, especialmente em período de férias em que a minha vontade é de passar tempo de qualidade com eles. Momentos como estes:

Também fico exausta. Aliás, estou exausta e já sinto necessidade de arranjar formas de respirar. Ainda temos uma semana de férias pela frente e eu penso como seria bom poder aproveitar alguns dias sem filhos, sem fazer as mesmas rotinas de sempre, sem ouvir chamar pelo menu nome dezenas de vezes (a dobrar) e sentir que posso fazer programas de adultos com horários de adultos… tipo não ser obrigada a levantar-me às 7hoo da manhã… 🙂

 Boa noite!

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