É mentira. Estivemos mais tempo juntos, passamos o fim-de-semana todo os quatro juntos. No entanto, a sensação real é a de que o tempo que efectivamente estive com ele, foi de apenas cinco minutos.

No sábado, decidimos ir à praia. Escolhemos a Praia do Pego, na Comporta, com o intuito de fugir um pouco da confusão e dos destinos mais óbvios de praia. Algo que teria resultado, não fossem as altas temperaturas a levar praticamente todos nós para o mesmo destino: praia. Não saímos muito cedo de casa, pois o objectivo era que dormissem no carro, depois de almoçarem. Resulta quase sempre, com excepção do dia de ontem. Achava que, com isso, até podíamos ficar até mais tarde na praia e, quem sabe, comer alguma coisa por lá antes de regressar. Afinal, ainda levamos cerca de 1h30 de viagem para cada lado.  

No entanto, não só não adormeceram, como foi ainda uma viagem cheia de exigências: o Vicente a fazer birras por tudo e por nada, a Laura a chorar. Como se não bastasse, tinham fome e sede. A certa altura, achei melhor ir para o banco de trás, ia entalada, mas pelo menos, não ficava mal-disposta. Chegamos à praia e esteve tudo bem, não fosse o temperamento sensível dos dois. O pai com o mais velho, que queria fazer uma coisa e a mãe, com a mais nova que queria outra coisa. À revelia dos dois, eu e o meu marido ainda jogamos cinco minutos às raquetas. O Vicente amuado porque era a vez dele – e não a minha – e a Laura a chorar como se tivesse sido abandonada, mesmo que estivesse colada a mim.  

Ficamos até não dar mais, o que foi muito mais cedo do que tínhamos planeado. É certo que adormeceram logo, mas assim que acordaram, o temperamento não estava muito diferente. Voltei a vir para o banco de trás, atender a um e a outro, fome, sede, dar festinhas, brincar…. e tudo o mais que se lembraram. 

Chegamos a casa e fizemos tudo no automático – os banhos, os jantares, as dormidas – e só percebemos o nosso estado de cansaço quando percebemos que tínhamos adormecido, o pai com o Vicente e eu no sofá da sala sem que ainda tivesse conseguido tomar banho.

Hoje o dia começou cedo, tal como começam todos os outros. Não tivemos forças para planear nova ida à praia. Fomos ao parque. Chegamos, e foi um para cada lado com o seu. O pai toma atenção a um, a mãe ao outro. Estamos mais cinco minutos os quatro juntos, antes que cada um volte a ir para cada lado. O Vicente quer andar de bicicleta, quer acelerar, mas na hora de travar chama pelo pai ou pela mãe. A Laura, enfim, é andar com o coração na boca. Na última vez abriu o lábio, hoje raspou os joelhos.

parque recrativo da serafina

Durante estes dois dias, exagero quando digo que não consegui estar mais do que cinco minutos com o meu marido. Porém, a sensação é precisamente essa. Não houve tempo para apanhar sol, para passear, dar as mãos ou até comentar o que tínhamos achado da praia ou do novo jardim a que tínhamos ido. Andamos em vigilância máxima, sempre a chamar a atenção de um filho e do outro e, às vezes, até chamamos à atenção de cada um de nós. Só vejo perigos  todo o lado e é impossível partilhar a atenção com mais alguma coisa.

Contudo, cá em casa somos os únicos a sentir-nos assim. Estes miúdos andam com pilhas, não param, falam alto, esqueço-me que a Laura tem apenas um ano e meio, porque ela própria nos faz esquecer disso. O tempo que passamos em casa, é passado com os turnos: o da manhã, o do almoço, o da sesta e o da noite. Não paramos. É incrivel, mas neste fim de semana os dias pareceram durar 48 horas.

Não foi um fim-de-semana diferente de muitos outros. E foi muito bom, pois tivemos tempo de qualidade com os nossos filhos, Mas colocando tudo em perspectiva e olhando de fora… piedade para todos os pais neste perído de férias mais longo. Nunca sentira tanto como agora a forma exacerbada como ter filhos nos absorve por completo e como, por vezes, até nos retira do “mundo”.

São fases. Outras se seguirão, mais ou menos exigentes, não importa. São todas diferentes umas das outras. Mas esta é muito exigente fisicamente, o corre atrás, o pega ao colo, o dá banho, o adormece, o muda a fralda…. nunca se pára!

No meio de tudo isto, tenho cada vez mais a certeza que o tempo a dois é essencial: namorar, dar as mãos, olhar nos olhos, conversar… para que nada se perca pelo caminho da maternidade e paternidade.

Boa noite.

 

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