Se ser feliz é simples, então, imagino que a grande dificuldade seja precisamente saber ser simples. Procuramos compensações exteriores e materiais para conseguirmos ser feliz. Precisamos de motivos fortes para sermos felizes, não nos contentamos com pouco. Exigimos tanto da vida sem sequer pararmos para agradecer devidamente tudo aquilo que diariamente recebemos.

Para estas férias de verão, não queria mais do que isso: ser simples nas pequenas coisas que fazemos, procurar as coisas simples que estão à nossa volta e usufruir delas. Queria valorizar mais a presença e a companhia das pessoas que mais gostamos – e da nossa própria companhia uns com os outros – queria fortalecer os laços, aproximar os corações. E queria muito que o Vicente e a Laura não se desligassem do essencial e que percebessem que as melhores coisas e os melhores momentos não precisam de dinheiro e que não se compram no shopping.

Faz já parte da nossa tradição de Verão estarmos com amigos que vivem fora do país, que vêm todos os anos passar as suas férias por cá. São amigos com filhos com idades próximas dos nossos, amigos com os quais não é preciso arranjar programa, pois só a companhia é suficiente para perdermos a noção das horas. As crianças brincam com liberdade e brincam umas com as outras, passam um ano inteiro sem se verem, mas ninguém diria. Nós conversamos, conversamos sobre os filhos, a vida, os planos, conversamos de verdade, saímos do superficial e da circunstência. E o tempo é sempre pouco, demasiado pouco. Imagino que isso seja um bom sinal, não é?

Às vezes vamos à praia, outras deixamo-nos ficar por casa mesmo, há espaço ao ar livro e há o conforto do espaço e uns dos outros. No entanto, este ano fez-se uma coisa diferente. Fomos todos apanhar pinhas. O Vicente não sabia muito bem o que era, mas rapidamente percebeu o que era para fazer e parecia um verdadeiro menino do campo entusiasmado com tudo aquilo – e até a Laura, esperta como só ela, a quem não foi preciso explicar o que era para fazer. Em poucos minutos, já andava a agarrar pinhas do chão. A felicidades estava estampada naqueles rostos pequeninos – que de pequeninos já começam a muito pouco.

É realmente muito simples ser feliz. No entanto, acho que vamos perdendo a simplicidade com a idade, o que complica tudo! E, se antes, eu nem pensava nestas coisas, ter ganho a percepção de como o tempo passa tão rápido e o facto de ter sido mãe, sem dúvida, mudou e continua a mudar a minha percepção de tudo isto e, sobretudo, começo a sentir necessidade de me aproximar dessa simplicidade nova mente.

Outras coisas simples para fazer com os miúdos estas férias:

Férias de verão: Quinta Pedagógica dos Olivais

5 Programas para as férias de verão alternativos à praia

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