Os esquisitinhos da praia.

Era assim que este post se iria chamar e era nele que eu iria carpir toda a minha frustração em relação ao facto do Vicente detestar praia. De sentir como, para ele, é mesmo um sacríficio e, como tal, o grande objectivo dele é encontrar planos alternativos e formas de me convencer de que a piscina é, sem dúvida, muito melhor do que a praia.

Acontece que, depois da manhã de hoje, acho que tenho boas razões para achar que não somos os esquisitinhos da praia. Aceitando as vossas sugestões, decidimos ir até à praia da Dona Ana, em Lagos, o Vicente lá ia a contra gosto e eu já ia frustrada por não saber mais o que fazer. Pois se, nem o facto de ir para a praia com os amigos, o fez mudar de ideias e se nem a irmã o incentiva… sinto que também não o posso forçar.

Mas a praia da Dona Ana, durante a manhã, faz duas “piscinas” que vão desaparecendo até a maré encher. Sentei os dois a brincar junto de mim, na areia molhada, mar com poucas ondas e uma das “piscinas” ali ao nosso lado. Não foi preciso pedir muito para que fosse ele próprio buscar água, não foi preciso de todo pedir-lhe para chapinhar na água e para se molhar. Ele próprio foi ganhando confiança e os meus olhos brilhavam com a sua felicidade ali, sozinho, a brincar na água. Nunca o tinha visto com os calções molhados na praia, quanto mais o cabelo. E hoje saiu de lá completamente encharcado. Brincou até mais não e pediu para ir à água.

Hoje não fomos os esquisitinhos da praia. Brincamos os quatro, molhamo-nos uns aos outros, corremos, fizemos um enorme buraco na areia (que o Vicente fez questão de encher sozinho de água). Hoje fomos a família dita normal que vai à praia e que se diverte.

Eu adoro praia, acho que é essencial e que nos faz bem. Ter filhos que não gostassem de praia seria para mim uma grande tristeza, confesso.  Na verdade, chega a uma altura que eu própria sinto que não posso forçar ou obrigar só porque as outras crianças gostam ou só porque eu gostaria que ele se sentisse bem naquele ambiente. Ainda assim, sentir-me-ia triste por não poder desfrutar de algo, que eu tanto gosto, com eles, por não haver tantos momentos de brincadeiras e por ser, quase sempre, um programa que envolve alguma tensão ao fim de um certo tempo.

No entanto, hoje percebi que pode ser apenas o medo do mar e das ondas. Talvez tenhamos que procurar outras praias, diferentes das que habitualmente vamos. Praia, cujo mar é mais calmo, se possível com poucas ondas e com esta particularidade de formar autênticas “piscinas”.

Sei também que é importante que eu aceite os meus filhos como eles são e que, da mesma forma que não o obrigo a aproximar-se de cães, só porque são “o melhor amigo do homem”, também acabo por me sentir mal por lhe estar a impôr uma coisa que ele não aprecia. No entanto, pode ser apenas medo, pode ser que com pequenos ajustes e mais uma dose de paciência, as coisas continuem a melhorar. Afinal, ele não precisa adorar a praia, simplesmente gostava que fosse um programa divertido em família – é que passamos um ano inteiro à espera do verão, do calor e… da praia!

Hoje já ia mentalizada para sermos os esquisitinhos da praia, mas vou-me lembrar durante muito tempo da forma – cautelosa – como observei a forma como o Vicente ia ganhando confiança e a felicidade estampada no seu rosto! Só por isto, a praia da Dona Ana, em Lagos, vai ser sempre especial para nós a partir de hoje.

Obrigada a todas vós pelas valiosas sugestões. Temos estado a segui-las. Prometo, no final das férias, um post sobre estes dias e a minha impressão sobre os locais onde estivemos.

Boa noite.

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