Mudar a minha casa é, sem dúvida, a minha grande prioridade neste momento – mudar e destralhar. Como, aliás, vocês já devem ter percebido. Sentir-me bem na casa onde vivo, nos espaços em que circulo, sentir-me inspirada para escrever, para ter a própria casa organizada, para cozinhar, para tudo, no fundo, senti-la verdadeiramente minha (nossa).

E, hoje, algumas leitoras comentavam, na fotografia que partilhei no Facebook, coisas que, para mim, fizeram todo o sentido. De alguma forma, acabaram por vir explicar esta súbita necessidade de ter que colocar isto como uma prioridade nesta fase. Por exemplo:

Às vezes é preciso destralhar a cabeça antes de o fazer à casa! Por isso, essas decisões e iniciativas levam o seu tempo. É um processo, perceber que não precisamos assim tanto de espaço, mas que temos é “coisas” a mais…

Nem mais! Em Novembro passado fechei um ciclo importante da minha vida. Entreguei a minha carta de despedimento e a parte profissional da minha vida, que estava em suspense há quatro anos, finalmente, tomou o rumo certo. E, desde então, ao mesmo tempo, têm havido coisas a decomporem-se, outras (novas) têm vindo a ganhar forma e sentido. Imaginem que ainda tinha guardada toda a minha roupa de “trabalho”: fatos, camisas, saias formais, sapatos que não usava para mais nada, peças de roupa que, mesmo na eventualidade de voltar, eu talvez já nem as vestisse novamente. Em contrapartida, aos poucos, começo a conseguir perceber de que forma consigo trabalhar em casa, o que preciso e o que não preciso.

 

Força aí nessa decisão. Dei volta à casa toda há pouco tempo e a sensação, depois, é maravilhosa! Há que reduzir e ganhar espaço. Na casa. Na cabeça. No coração 😋😘

Já partilhei com vocês a dificuldade que foi sentirmo-nos em casa depois do regresso de Bruxelas e, em bom rigor, desde que o Vicente nasceu. Como a nossa vida estava a ser vivida em regime provisório, acabamos por não fazer as coisas como realmente eu gostaria que tivessem sido. Quando o Vicente nasceu, estávamos provisoriamente em casa do meu marido, uma casa totalmente mobilada por ele e onde eu tive que me encaixar.  Preparei o quatro do bebé sem loucuras, afinal, daí a poucos meses, estaríamos a ter que fazer o mesmo na casa de Bruxelas. Uma vez em Bruxelas, chegamos a uma casa já totalmente mobilidade, com muito pouca coisa nossa, neste caso do meu marido. Sabíamos que o certo seria daí a dois anos estarmos de regresso, como tal fui remediando como podia para que nos sentissemos em casa. Mas continuava a ser uma casa provisória.

No regresso a Portugal, voltamos à casa do meu marido, saímos com um bebé de três meses e voltávamos com uma criança de dois anos, obviamente que já nem o quatro deixado para trás fazia sentido. Mudamos de casa quando já não dava mais, no entanto, acabamos por trazer parte da herança destas casa que não eram minhas. Portanto, acho que aquilo que está a acontecer é que estou, de novo, a chegar ao meu ponto de ruptura. Preciso de me sentir em minha casa, de ter os espaços de que eu e nossa família precisamos, deixando para trás, de uma vez por todas, tudo aquilo que não faz sentido. Desde as coisas mais simples, como uma mera moldura, até às mais substanâncias, como a secretária que eu “herdei” para agora trabalhar.

E a grande diferença deste momento é que eu não consigo fazer nada do que pretendo sem antes destralhar. Sinto que é necessário limpar todo o ruído à minha volta, que não me permite perceber de que forma me vou sentir bem e o que realmente faz sentido. Quase como se precisasse novamente de ver a minha casa completamente vazia – coisa que sesugerisse ao meu marido, ele teria um ataque, no mínimo. 🙂

 

Como eu te entendo. Eu preciso urgentemente de fazer isso. Percebo bem o quanto isso interfere no nosso bem estar físico e psíquico!… Mas preciso do momento certo…

E aqui que precisamente chegamos: à uma necessidade do bem estar físico e psíquico. O momento é, efectivamente este, assim +e de forma natural que perceber claramente o que deve sair e o que de novo deverá entrar.

Ainda hoje, com ajuda preciosa, porque não posso fazer esforços, fomos ao IKEA – uma ideia que o meu marido detestou, vá-se lá saber porquê, não é verdade? – e consegui levar a lista exactamente daquilo que precisava. É uma loja imbatível, neste momento, para arrumação. Entre caixas transparentes para colocar em cima do roupeiro, cestos para colocar na banheira, um tapete para a colocar debaixo da mesa de jantar, mais um cesto para a roupa lavada, novas forras para as almofadas da sala, tudo “pequeninas” coisas que permitirem automaticamente alguma ordem e harmonia – até mesmo visual. Faltam as coisas grandes, mas também não tenho pressa. Quero ter a certeza de tudo aquilo que precisamos e de como quero. Também é verdade que não pretendo gastar muito dinheiro nestes “ajustes”, ainda que, no limite, gostasse de ser organizada ao milimetro. Mas não consigo, gosto, mas, na prática, não resulta comigo. Portanto, vamos fazendo também dentro daquilo que podemos e conseguimos. Para já, está a saber-me muito bem e o pouco que já fiz, já está a surtir os seus efeitos desejados.

Neste sentido, não posso terminar o dia de hoje sem vos agradecer. As vossas opiniões, as vossas dicas de organização e até a partilha dos vossos sentimentos com estes momentos das nossas vidas, tem tido um efeito bastante positivo e até motivador. Obrigada <3

Mais para ler:

Querido, preciso mudar a casa #1

Boa noite.

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