O fim do ano lectivo é, para mim, muito nostálgico. Nem vos sei dizer bem porquê, sobretudo, neste caso, em nada irá mudar a não ser a sala. Mas fico sempre de lágrima no olho e emocionada. As despedidas, a entrega das avaliações e da pasta com tudo aquilo que foi feito ao longo daquele ano. As salas vazias, as paredes despidas, montes e montes de trabalhos empilhados e guardados em pastas à espera de serem entregues aos respectivos pais.

O Vicente fica numa excitação que só visto, orgulhoso de tudo aquilo que fez. Mostra-nos folha por folha, sempre na expectactiva de qual será a nossa reacção. Aqueles olhinhos brilhantes que olham para nós sedentos de nos ouvir dizer o quanto estamos felizes e orgulhosos dele. E estamos, muito!

E eu fico ainda mais emocionada. Gosto de ver com calma cada trabalho, cada folha, cada observação e, especialmente, as legendas que a educadora escreve. O Vicente é menino que não dá problemas, é obediente e bem comportado, mas a verdade é que está muito mais “espevitado” do que no início. Eu já o sabia, nota-se, às vezes, até demais – porém, e aqui que ninguém nos ouve, fazia-lhe falta ser um bocadinho mais solto e desinibido. À medida que folheio cada folha, apercebo-me do quanto cresceu e da quantidade de coisas que já sabe fazer (sozinho). Descobri, por exemplo, que fez o seu primeiro trabalho em recorte e picotado – eu ainda me lembro de quando era eu com a esponja e agulha a picotar o papel e a recortar, adorava – e que já sabe escrever alguns número. Na verdade, constato aquilo que eu própria já sei, mas que vou tentando não me lembrar. O Vicente está quase a despedir-se do Jardim de Infância, como não haveria de estar tão crescido e de saber já tanta coisa?

Com as educadoras e auxiliares ficam sempre um enorme agradecimento. Qualquer palavra, qualquer oferta é sempre insignificante perante aquilo que fazem com os nossos filhos. E, neste campo, temos tido muita sorte. Estou muito satisfeita com as profissionais que têm acompanhado o Vicente. Gostava de lhes dizer que confio nelas e que me sinto segura, acho que talvez seja o maior reconhecimento que lhes poderei dar, que, enquanto mãe, confio nas pessoas responsáveis por parte da educação e dos valores que o Vicente aprende.

Hoje, foi o último dia para o Vicente que já estava muito cansado, via-se perfeitamente a cada manhã. É tempo de brincadeira e de férias! Ainda voltamos na segunda, mas só para deixar um grande beijinho e um dizer um “até já!”.

E agora só me apetece apertar, com muita força, este menino de coração de ouro que não pára de crescer. Apertá-lo junto a mim e cair na real de que eu também sou uma mãe lamechas. Porra! Eu sei que faz parte e que é uma coisa maravilhosa, mas também custa vê-los crescer desta forma e saber que são cada vez mais “da sua própria vida e cada vez menos da nossa vida”. Sem dúvida que as mãe vivem com o coração fora do peito! 🙂

Há por aí mais mamãs que, hoje, tivessem vivido as mesmas emoções que eu?

Boa noite.

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