Tem sido tudo fantástico e maravilhoso – dentro do caos que é – excepto quando chega a hora de os pôr a dormir. A Laura com o seu refinado gosto por dormir pouco e por ser muito pouco disciplinada com rotinas, contrasta com o Vicente com quem sempre funcionaram muito bem as rotinas. Ele era aquele bebé que deixava muitas mães a morrer de inveja: era deitar na cama e ele adormecia sozinho a noite inteira. Habituei-me mal, talvez. pois só quando passei dez meses sem dormir a sério é que percebi o que é realmente a privação do sono e os seus efeitos – e compreendo que é um tema bastante sensível na maternidade.

Mas as coisas estão melhores a todos os níveis, menos um, que ainda deixa a nossa logística familiar meio baralhada. Não conseguimos que os dois adormecam no mesmo quarto. Se estiverem juntos, gozam connoscos e ficam na brincadeira; se levamos a Laura primeiro, como ela leva imenso tempo a adormecer, é impraticável ter o Vicente à espera; se levamos o Vicente primeiro, ele adormece, mas a Laura não consegue estar sossegada, chama pelo irmão até que, por fim, entramos no choro – isto é, na birra de sono.  É um desatino pegado.

Eu achei que seria mais fácil, ou seja, que esta rotina fosse mais “natural”. Na minha cabeça, deitava a Laura, ela adormecia e, de seguida. ia o Vicente. Pensava eu, a mãe de segunda viagem que está a aprender muita coisa de novo. Que está a aprender sobretudo a colocar tudo em perspectiva e a relativizar. Acho que tem sido importante o facto de eu aceitar a Laura como ela é, sem comparações com o irmão em nada! Contrariar aquilo que é um facto só iria tornar as coisas ainda mais difíceis.

A Laura é uma criança cheia de vida e determinada por natureza. Admiro-a por isso. A Laura é como ela é e o meu papel tem sido o de aprender a ir ao encontro dela e de me moldar ao seu feitio, mais do que propriamente ela a mim, devo ser sincera.  Se é o certo? Não sei, eu tento fazer o melhor para os quatro, se encontrar o nosso equilibro de família – que será sempre desiquilibrado – sei que isso vai ser fundamente para que andemos bem, tranquilos e mais afáveis uns com os outros. Eu, em particular, preciso ter alguma coerência no meu dia-a-dia e de saber, mais ou menos, o que esperar. Portanto, para que o fim-do-dia seja o mais pacífico possível, a Laura adormece no quatro dos dois, na cama dela, e o Vicente na nossa cama.

Em bom rigor, a culpa é desta história da parentalidade positiva que nos incute uma série de príncipios que, quando se lê um livro, para tudo muito simples. Quando temos os nossos filhos diante de nós, com as suas personalidades bem vincadas, as coisas mudam um bocadinho de figura e nós começamos com os nossos sentimentos de culpa. Os filhos acabam por ser soberanos em muita coisa, os pais só nos adaptam. e isto começa ainda na barriga da mãe.  E o nosso amor é muito assim, tem uma enorme capacidade de se adaptar e de se dar do que propriamente exigir o que quer que seja – obviamente que aqui não me estou a referir ao respeito, obediância e educação, por exemplo.

Entretanto, tenho-me vindo a aperceber que essa tal harmonia alcança-se das mais variadas formas, umas até podem ser bem estranhas. Cada família terá a sua, com a qual saõ felizes. Cabe a cada família perceber o que funcionará melhor com ela, sem esquecer que as crianças são caixinhas de supresa. E, posto isto, o meu lema é apenas um: “nunca digas nunca”.

  • Nunca digas que o teu filho não irá dormir contigo na tua cama;
  • Nunca digas que o teu bebé nunca irá adormecer ao teu colo;
  • Nunca digas que nunca irás usar a televisão como forma de o entreter sozinho por uns instantes;
  • Nunca digas que o teu filho vai ser aquele que nunca vai empurrar ou morder outra criança;
  • Nunca digas… nunca!

 

Boa noite 🙂

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