Hoje foi um daqueles dias em que nada funcionou. Aliás, são já alguns dias em que, cá em casa, é tudo feito em esforço. A energia não flui como é desejado e para qualquer lado que me vire só vejo confusão, coisas fora do lugar e muitas tentativas frustradas de manter alguma ordem. E eu só funciono até um determinado limite de caos. Já escrevi tanta vezes sobre como é importante para mim e para o meu equilíbrio que o ambiente à minha volta também esteja calmo e organizado.  

Com dois filhos, a sensação que tenho é a de que eles desarrumam não por dois, mas sim, por dez ou vinte – consoante os dias. E é com grande tristeza que constato que a vontade de tentar religiosamente que, ao final do dia, que tudo volte ao seu lugar de origem, não tem funcionado. Sempre que entro em casa, surge uma urgência qualquer que se sobrepõe a tudo – tenho a sensação que ando sempre atrasada – são os banhos, o jantar, as birras, o cansaço, o sono, às vezes, ainda é preciso ir ao supermercado. Ou é de mim (espero que não) ou, então, é passageiro e tem a ver com as idades dos meus filhos.

São idades bastante exigentes, na verdade. A Laura está numa fase em que consome toda a nossa energia e em que todas as atenções são poucas. Desarruma e suja por dez iguais a ela. Inventa o impensável para uma criança da idade dela. O Vicente, obviamente, faz aquilo que qualquer rapaz da idade dele, faz, desarruma para puder brincar. E somem mais dez iguais a ele. Ao final do dia, foram “vinte crianças” a passar por nossa casa e o tempo que sobra depois de os ter a dormir é muito pouco para voltar a colocar tudo no lugar. É o tempo e somos nós, já cansados! Quero acreditar que melhora a medida que eles vão crescendo e que eu não sou caso único.

Se juntar a isto, o facto de trabalhar em casa, o cenário ainda piora. A minha criatividade não lida bem com a confusão, embora hajam estudos a dizer precisamente o contrário. Há alturas em bloqueio e que, por mais que eu tente, não consigo ser produtiva. Hoje precisava mesmo ter escrito um texto e não consegui. E nem foi por falta de ideias, essas estão cá, não resultou no “papel”. Para além disso, tinha também malas para fazer. Vamos passar o fim-de-semana fora – são só dois dias – e consegui arranjar ainda mais confusão e manter as malas vazias.

Decidi que se não estava a fazer nada bem, o melhor era sair de sair. Fui ao ginásio, libertar o stress e resultou no momento. É preciso resolver o caos. Começo a sentir-me demasiado pressionada e sem tempo, um tempo que para mim era sagrado, um tempo que conquistei com a minha mudança de vida.

E agora, para onde é que ele foi?

Será a própria vida na cidade que não ajuda?

Será o quê?

Preciso encontrar um equilibro que talvez esteja muito para além da organização da minha casa. Talvez comece a sentir necessidade de abrandar mesmo tudo à minha volta. Não sei… E se pudesse recomeçar tudo de novo num outro lugar? Com um outro estilo de vida?

Partilhem comigo as vossas ideias. Como se sentem? Como é o vosso dia-a-dia? Quanto tempo passam em casa com os vossos filhos? Como se organizam? Essas coisas normais…

Quais são os vossos truques para sobreviveram nessa vida tão apressada que levamos?

Grata.

 

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