Minha querida Laura, este post é para ti e é para e para todas as mães que, tal como eu, vivem no meio do caos e da desordem. Somos mães vítimas do “tira aqui para pôr ali” constante, passamos os dias de rabo para o ar a apanhar objectos estranhos que vão sendo encontrados por todo o lado, somos vítimas dos segundos em que nos distraímos, o suficiente para se lançar o caos. Um estranho que entre em casa, pode achar que acabamos de ser assaltados ou, então, que passou um furacão pela nossa casa. Na verdade, não foi nada disso. É simplesmente um bebé com pouco mais de um ano cheio de energia (até demais).

Posto isto, nada a ver para além de me resignar às evidências:

  1. Um minuto de silêncio pelas minhas suculentas, as únicas plantas a conseguirem sobreviver cá em casa até ao dia em que se atravessaram no caminho da Laura. Foi mais o contrário, na verdade, porque as suculentas, coitadas, estavam e sempre estiveram sossegadas no canto delas;
  2. Um minuto de silêncio também por todos os objectos que foram encontrados inanimados na sanita;
  3. Todos os bocadinho de papel enrolados e espalhados minuciosamente pela casa. Sem falar  nos rolos de papel de higiene que passaram a durar pouco mais do que dois ou três dias;
  4. A roupa que sai para fora das gavetas a toda a hora;
  5. Os brinquedos que desaparecem do lugar e que voltam a aparecer nos locais mais improváveis, gavetas de roupa interior, por exemplo;
  6. As portas dos armários da cozinha que passam a vida abertas;
  7. A caixa que guarda todos os fios e cabos, ao lado da televisão, que desde que foi descoberta nunca mais voltou a ver a tampa, graças à sua tara em andar a arrastar fios pela casa;
  8. Aos copos que foram partidos daquela primeira vez que tentou (e conseguiu) abrir a porta do armário da sala;
  9. As peças dos puzzles que são enfiadas na boca como se fossem bolachas;
  10. Aquela vez em que fui abordada por uma mãe no parque que me confessou que tinha sido a minha filha a ensinar a dela a gostar de escorrega. Mas vejam só, pus a miúda a gostar do escorrega da forma mais perigosa possível: subir a rampa de pé!
  11. Andar na rua sem medo de nada e a uma velocidade que me tira a respiração;
  12. As várias nódoas negras nas pernas, uma na bochecha e um joelho todo arranhado;
  13. Dá muitos beijinhos, é um facto, mas a especialidade são os beliscões e as mordidelas – e o mais curioso é que ela sabe exactamente o que estás a fazer;
  14. É a típica segunda filha, aprende com o teu irmão a melhor forma de tirar partido das situações, sobretudo quando ele coitado “já foi apanhado”;
  15. Com ela só funciona na base do deixar que seja ela a fazer as coisas. Bebe água pelo copo de uma adulto, como pela sua mão, tenta vestir-se. calçar-se e lavar-se;
  16. O Montessori é a cara dela, quando a observo percebo que com ela vai ser tudo diferente… já é;
  17. É a prova “provada” que nunca devemos dizer nunca, criticar ou julgar! Cada filho é um filho e, muitas vezes, só resulta se mudarmos tudo o que já tínhamos aprendido e outras coisas que até achamos ser as mais acertadas.

… claro que nada disto importa na verdade perante o bom que é ter a Laura nas nossas vidas. Quem é que se imaginava agora sem esta boneca a passear-se pela casa? Ninguém, claro!!! 🙂

Boa noite!

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