Tomei a decisão de trocar o centro pelo incerto, a segurança pela instabilidade, os horários fixos por uma realidade em que sinto que estou a trabalhar 24 horas por dia. Reinvento-me a cada dia, crio rotinas e oportunidades, a cabeça não pará e cada mês que se inicia, recomeço praticamente do zero. Projecto uma forma de vida alternativa, tentando ignorar o medo e todos os meus receios – sim, eu também os tenho – tentando fazer o máximo com os recursos que tenho. Para o meu “sucesso”, evito pensar a longo prazo, ainda que seja um pouco assustador quando se tem filhos.

No entanto, é-me difícil explicar-vos como a mudança era a única alternativa viável – mesmo sendo uma alternativa sem quaisquer garantias. Eu sentia que as consequências de não mudar iam ser bem piores. Não me perguntem como, porque eu não sei explicar, mas senti tudo isto com uma lucidez que nunca tinha tido antes.

Mudei para ser mais feliz, para me encontrar e dar de mim aqueles que me rodeiam. Mudei para me encontrar e poder usar a minha verdadeira identidade em tudo aquilo que eu faço e em todas as relações humanos. Mudei porque a vida só se vive uma vez e porque o facto de ter sido mãe me mostrou como tudo é tão efémero, assim como me ajudou a perceber aquilo que realmente importa e aquilo que fica desta vida.

Não sei o que o futuro me reserva, no entanto, sempre que olho para os meus filhos – sobretudo agora que me apercebo de como estão a crescer, o Vicente já faz cinco anos –  eu sei que tomei a decisão certa. Tomei a decisão que me permitiu dar mais de mim aos meus filhos, que me permitiu tempo de qualidade e ainda algo que dinheiro algum pagará: a minha presença em todos os momentos importantes da vida deles. A maternidade não é tudo aquilo que me define, seria redutor, porém foi, sem dúvida, aquilo que me fez mudar. Fui mãe a tempo inteiro fruto das circunstâncias familiares, mas foi sempre mais do que apenas mãe.

Não sei nada sobre maternidade, sei apenas aquilo que a minha experiência, os meus filhos e a nossa vida me têm ensinado. Contudo, na forma como eu encaro tudo isto, ter tempo para os filhos e acompanhá-los nestes primeiros anos deveria ser um direito de todos nós, pais e mães. Acredito que seria a resposta para muitos problemas que se levantam mais tarde. Estar presente, guiar, mostrar que somos a referência e que em qualquer que seja a sua direcção, perceberem que o pai e a mãe estão ali, vigilantes.

A vida profissional é um complemento essencial de quem eu sou, da minha independência e do meu bem-estar, mas, no fundo, nesta aventura, o que poderá não correr bem? O blog não ter sucesso? Não se tornar uma fonte de rendimento sustentável? Não me permitir seguir o sonho da comunicação, o curso que tirei e a paixão que move? Ficarei triste, sem dúvida alguma, desiludida até. Porém, eu sou uma pessoa capaz, válida e com saúde – graças a Deus. Arregaço as mangas com o mesmo espírito seja qualquer for o desafio, mesmo que implique sair para fora daquilo que me apaixona e realiza. O meu bem-estar e o dos meus virá sempre em primeiro lugar.

Mas eu sou uma aquariana, portanto, os mais cépticos que me desculpem e permitam-me o devido desconto. Eu acredito – e acredito com muita força- que se colocarmos aquilo que somos em tudo aquilo que fazemos nada poderá dar errado e o meu sucesso virá desta convicção que tenho. 

E mesmo nos momentos mais difíceis, eu tenho sempre a certeza que estou do lado certo da vida e mereço-o, tal como todos vocês merecem encontrar o vosso lado certo. Nunca me arrependi da decisão que tomei, pois o meu objectivo é viver uma vida com sentido e que me permita tempo de qualidade para aquelas que são as minhas prioridades, sejam elas quais forem. No fundo, quando olhar para trás, quero aperceber-me que valeu a pena andar por cá!

Por mim, por eles, pela vida… pelo momentos que já vivemos e que continuamos a viver, eu saberei sempre que tomei a decisão certa!

 

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