Está numa excitação que só visto! Nos últimos dias, todas as conversas têm sido em torno da sua ida à praia com os amigos da escola. É a sua primeira vez e, contrariamente aquilo que eu pensava, estou até bastante tranquila.

Estou tranquila porque o Vicente tem uma suposta aversão à praia – já digo suposta, pois acredito que durante a próxima semana ele nem se vá lembrar que não gosta de areia e nem tão pouco irá recusar-se a molhar os pés. Quero é ver depois, quando formos todos juntos à praia, como vai ser a sua reacção…. Estamos sempre aprender com as crianças e o mais engraçado é que, com apenas quatro anos, eu já sinto alguma dificuldade em acompanhar o seu ritmo e as suas constantes alterações de estados de alma!

Ainda ontem tínhamos regressado de Bruxelas, tinha metade da idade que tem agora. Chorou tanto quando o comecei a deixar na To Be Kid, cerca de duas horas por dia, três vezes por semana. Eram duas horas que passavam a voar, mas aqueles primeiros instantes de o deixar e de ver aquele desespero custavam sempre. Tranquilizava-me espreitá-lo quando chegava, tão bem disposto e divertido a brincar. Foi sempre assim até ir oficialmente para a creche. Voltou a chorar um pouquinho, mas já mais consciente de que não estava a ser “abandonado” 🙂 Depois, fui-me apercebendo de que o facto de chegar mais cedo interrompia as brincadeiras e fui-o deixando ficar um pouco mais. Reconheço que há uma determinada fase em que as crianças precisam mesmo desta rotina da escola, as próprias rotinas, as relações interpessoais e a necessidade dos pares são coisas que começam a ser demasiado evidentes.

Hoje em dia, já o noto a falar dos amigos de uma forma diferente  e vê-se perfeitamente como está crescido e como evoluiu na sua forma de se relacionar. Tem o seu grupo, joga a bola com os meninos da primária, tem conversas próprias da idade deles. Fala-me com entusiasmo de fazer cinco anos. Reclama quando na brincadeira o chamo de bebé e parece-me demasiado grande quando está perto da irmã.

Não estou nervosa com esta nova aventura, nem acho que me irei esconder numa duna para o espreitar – como sugeriram na escola, meio a brincar e meio a falar a sério. Vou deixá-lo estar à sua vontade, pois eu sei que se vir alguma coisa de que não gosto, vou ficar com aquela angústia de mãe, a mesma que senti no dia do torneio de judo e confesso que dispenso. É o espaço do qual ele precisa para crescer e eu irei ficar ansiosa para saber o que terá para me contar no final de cada dia. Também sei que vou ter que me preparar para uma dose extra de birras (mais!) tal será o seu cansaço.

O Vicente é um rapazinho é isso não deixa de me trazer sentimentos mistos. Ainda assim, eu acho que já superei aquele sentimento mais melancólico de perceber que o meu filho estava a deixar de ser um bebé e, por outro, acho que me sinto “fascinada” por ver o tipo de pessoa que ele é e a forma como se está a desenvolver – obviamente, que isso acarreta toda uma série de outras preocupações, não é verdade?

Por aí, sofrem muito com estas semanas de praia na escola? E colónias de férias, quem já deixou ir os seus filhos e a partir de que idade?

Boa noite.

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