Tenho por principio que não devemos tentar mudar um comportamento dos nossos filhos oferecendo-lhe uma recompensa. E, sim, o caminho mais eficaz não é de todo o mais fácil .Mas também sempre ouvi dizer que educar não era fácil… ouvi dos meus pais e, hoje em dia, percebo que tinham toda a razão. Os quatro anos são uma fase delicada

Vivemos um pouco na incerteza, sem saber muito bem qual será o estado de espírito e o humor do nosso filho. Tudo muda e em poucos minutos. Do amor, passamos à raiva; da diversão à birra; do tudo bem, para o tudo mal e, sobretudo, as atitudes (para o lado negativo) assumem proporções surreais. Quando vou buscar o Vicente à escola já vou de expectativas moderadas, porque nunca sei bem o que me espera. Regra geral, sou recebida com grande entusiasmo, mas depois, há dias em que é sempre a descer. Ou começa logo à saída da escola, ou durante a curta viagem, ou quando estaciono na chegada a casa, ou, então, em casa e, regra geral, tem a ver com o banho.

Na minha opinião, a sua necessidade de ser sempre do contra tem a ver com a sua enorme necessidade de mostrar a sua personalidade, a personalidade dos quatro anos… No entanto, há coisas que, enquanto mãe, me tiram completamente do sério. Por exemplo, aquela sensação de estar a falar para uma parede, de sermos ignoradas enquanto tentamos de tudo para não extrapolar. Mas, entretanto, chega a um ponto em que não dá mais, deixa de existir diálogo – aliás, monólogo – possível. Só penso no dia em que a pré adolescência nos bater à porta.

A outra coisa que me tira igualmente do sério é ter a sensação de que nada é suficiente para o meu filho. O Vicente tem um dia inteiro dedicado a ele, com tudo e mais alguma coisa e mesmo assim, é capaz de fazer uma birra porque quer mais alguma coisa – regra geral, algo do qual ele não precisa. E isto preocupa-me, confesso, pois, das duas uma, ou é de nós, que os habituamos mal – e eu sinceramente achava que não – ou é mesmo deles.

Vivo diariamente com um nível de exigência muito grande por parte de uma criança de apenas quatros anos que, claramente, abusa da sorte que tem! 🙂

  • Pede para ir ao parque, vamos ao parque. Está lá todo o tempo que quer, mas, mesmo assim, quando chega a hora de voltar para casa, faz sempre uma cena –  porque, afinal, nada daquilo  foi suficiente para ele.
  •  Chegamos a casa, já tarde e sem tempo para as habituais brincadeiras – porque ele quis ir ao parque. É hora de passar aos banhos. Não, não é! É tempo de fazer uma birra, porque para além do parque, também tem que brincar o tempo que ele quiser em casa.
  • Lá o convenço-o a tomar banho, mas levou tanto tempo a decidir-se que agora é só mesmo jantar e ir dormir. Não, não é! Afinal, também é preciso ver aquele episódio dos desenhos animados que costuma ver antes do jantar – quando há tempo e ele colabora.
  • Pronto, lá gerimos essa parte, tentamos jantar tardíssimo. Tem mesmo que ser lavar os dentes, xixi e cama. Não, não é! Afinal, é preciso ler não uma, mas duas histórias. Claramente, já está para lá das horas de dormir e está super cansado e, a partir daqui, é só birra de cansaço e de sono – que ele jura a pés juntos que não tem!

E no meio da azáfama dos nossos dias, ainda houve tempo para ouvir inúmeras vezes que não sou amiga; que sou feia; ou,então, que se não o deixar fazer alguma coisa, ele atira uma bola ou faz outra parvoíce qualquer. Tudo coisas que ele ouve na escola com os outros amigos da idade dele. Coisas que ele acha engraçado repetir em casa e perceber a nossa reacção.

A cada dia que passa, penso como posso melhorar e como posso tentar ser mais compreensiva, mas é complicado conversar ou explicar algo. Há coisas para as quais eu não tenho claramente a resposta ainda – lá está a história da tentativa-erro – porém. há uma altura em que os miúdos transformam por completo a sua personalidade, a sua argumentação e fica difícil gerir isso, sabendo que é apenas uma criança.

Claro que, entretanto, eu já dou por mim a puxar pelos meus galões de mãe, dizendo coisas como:

“O meu papel é ser mãe e não amiga”

“É melhor chorares agora do que mais tarde”

“Nem tudo o que se ouve na rua é para repetir, sobretudo quando um adulto está a falar contigo”

“Não se responde à mãe”

“Vamos ficar um minuto em silêncio! ”

….. é caso para dizer, nunca digas nunca! Não é verdade?

Quem mais está comigo nesta “crise dos quatro anos”?

Boa noite!

Comentários

comentários