Quem é que se lembra do artigo da nossa psicóloga Tatiana Louro precisamente com este título: Dão-se bem ou são irmãos? Nesse artigo,eram-nos dadas algumas dicas para gerir a relação entre irmãos, as chamadas de atenção e as birras. Basicamente, os pais aprendiam algumas estratégias para dar a volta à situação de forma equitativa entre os irmãos.

Aqui em casa, maioritariamente, os irmãos dão-se bem. Mas não somos a excepção à regra e, por isso, também já são visíveis algumas implicâncias, sobretudo por parte do Vicente que é mais velho. Acima de tudo, são chamadas de atenção cada vez mais frequentes e na proporção do crescimento e desenvolvimento da irmão. Se é que me faço entender.

As principais queixas do irmão mais velho em relação à irmã são:

  • que desarruma as coisas dele;
  • que não o deixa sozinho;
  • que vai atrás dele para a casa de banho e não pode;
  • que mexe nos brinquedos com os quais ele está a brincar.

Depois, também já acontecem muito as pequenas patifarias. O Vicente tenta fazer com a irmã, aquilo que faz com os amigos na escola, portanto, prega rasteiras, bloqueia passagens, tira-lhe coisas das mãos e, às vezes, empurra.

A tudo isto, junta-se a cereja no topo do bolo: as queixinhas! Se há uma melhor fase para nos descrever, é esta. O Vicente nunca faz nada, é tudo a irmã (outras vezes, até o pai ou a mãe).

“Vicente quem é que tirou a roupa da gaveta?

AH! Eu não fui, fui a Laura!

Vicente, podes arrumar os livros que estão espalhados na sala, por favor?

AH! Não fui eu, foi a Laura!

(Alguém chora, regra geral, a Laura) – “Vicente, o que é que se passou? Porque é que a tua irmã está a chorar?

Ah! Ela magoou-se/caiu sozinha! Eu não fiz nada!”

Bem, disse que as queixinhas eram a cereja no topo do bolo, no entanto, não me estava a lembrar da: vitimização. Algo nada típico nos homens, não é?! 🙂

Quando é chamado a atenção:

Parem! Vocês já estão a falar muito alto! Está a doer-me os ouvidos!

Quando chego junto deles e pergunto como se portaram:

“Mãe, sabes o que a Laura me fez, sabes? Puxou aqui assim com muita força (exemplifica o beliscão) e depois puxou-me o cabelo.  às vezes, morde!” – Na verdade, isto são tudo coisas que a nossa adorável Laura faz quando se irrita e que agora o irmão usa para se defender e colocar as culpas na miúda que ainda não se sabe defender porque, por enquanto, não fala.

Ainda são muito pequeninos, contudo já temos os nossos momentos de loucura com os dois a chorar ao mesmo tempo, a implicarem um com o outro, porque alguém tira um brinquedo ao outro e começa a disputa. O Vicente está a crescer e nota-se perfeitamente que já entrou na fase de rapazinho, mais autónomo e que procura alguma independência e, por vezes, privacidade. A Laura, por seu lado, faz aquilo que todos os irmãos mais novos fazem: venera tudo o que o irmão faz, quer estar junto dele, brincar e, na maioria das vezes, passa o dia a tentar imitar o que ele faz.

Vá, ainda me consigo rir das situações, mas percebo que não o posso fazer e que é importante colocar-me no lugar do Vicente, tentando respeitar os seus sentimentos e quando ele me diz que em determinado momento não quer brincar com a irmã, eu não o posso obrigar, mas aceito e procuro conseguir criar condições para ter o seu espaço. Outras das coisas que eu tento fazer é evitar passar-lhe a pressão de que tem que cuidar da mana porque é o irmão mais velho. Prefiro educá-lo para ser responsável e compreender que, por ser mais nova, é preciso ter alguns cuidados, sobretudo quando ele está sozinho a brincar com ela ou quando eu me ausento para ir a uma outra divisão da casa. Na minha opinião, são coisas diferentes e com impactos igualmente distintos na sua personalidade.

Dão-se bem ou são irmão? Dão-se bem, claro, mas como todos os irmãos, têm momentos em que, na impossibilidade de estarem sozinhos, entram em conflito uns com os outros!

E, por aí, dão-se bem ou são irmãos? 🙂

Boa noite.

Espero que o vosso fim-de-semana tenha sido bom.

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