E aqueles dias em que não nos apetece escrever nada? Aqueles dias em que nos sentimos cansadas e mentalmente sem energia ou capacidade de raciocínio? Os dias em que fico a olhar para esta folha e penso aquilo que eu sinto vontade em partilhar não é tão inspirador como a mensagem que eu tento passar-vos. O que é que se faz?

Há dias em que colocamos muita coisa em perspectiva, em que analisamos as nossas escolhas e a nossa capacidade para saber lidar com as consequências. Às vezes, sinto que não tenho a maturidade suficiente e, outras, que dei um passo maior do que as minhas pernas. Sinto-me a rumar contra a maré, a construir um castelo de areia que anda, vai não vai, para ruir.

Neste momento, sinto-me um pouco desorganizada, tenho tudo demasiado disperso para conseguir colocar a cabeça em ordem. Sinto que precisava de umas duas semanas para colocar tudo em stand-by e arrumar, arrumar, arrumar! Arrumar os armários, as gavetas, a secretária, destralhar. Para limpar a casa… e a mente.

A história é sempre a mesma: a cabeça começa a ficar cheia e eu sinto necessidade de arrumar tudo o que está à minha volta. Procurar criar harmonia para que a cabeça encontre paz e serenidade. De tempos a tempos, o saco enche e, aos poucos e poucos, começa a não conseguir guardar tudo. É aqui que sinto que começo a falhar. Falho como mãe, pois vou perdendo a paciência mais facilmente, as minhas reacções são mais exageradas e até desproporcionais. E é quando me apercebo disso que começo a ficar preocupada.

Depois, há aquelas pessoas que nos fazem sentir insuficientes, que, por mais que façamos, sentimos que estamos sempre a falhar, que nos lembram aquilo que não fizemos – não importa todo o resto que foi feito – que fazem precisamente o inverso daquilo que seria o suposto. Se a minha psicóloga ouvisse isto, responder-me-ia que aquilo que está em questão não é a outra pessoa, mas como é que eu lido com isso. Mas por mais libertador que seja sabermos que nós podemos controlar a nossa vida, ao viver em sociedade isso acaba por ter um efeito mais negativo do que positivo.

As últimas semanas têm sido muito exigentes, muito trabalho – do qual dou graças a Deus por isso – mas a minha cabeça não pára. Para além de estar sempre a pensar em algo, são sempre coisas muito diferentes umas das outras; ao longe de um só dia, lá andamos nós de cabeça no ar a pensar no que precisamos fazer a seguir, o que ficou por fazer. E é assim dias e dias seguidos.  E  é aqui que eu sinto que as mulheres são mais sacrificadas do que os homens. A verdade é que, seja da nossa natureza, seja cultural, seja porque motivo for, se não fizermos um esforço para contrariar isso, passamos os dias a apagar fogos aqui e ali, a tentar corresponder aquilo que nos é exigido e corresponder àquelas que são as expectativas dos outros.

Mas, afinal, o que é que é expectável que seja o nosso papel? É que não dá para fazer mil e uma coisas diferentes, todas com o mesmo nível de perfeição e de competência… não dá porque não somos super mulheres, mesmo que saibamos sempre dar a volta a tudo o que nos é pedido. Somos seres humanos como os outros. às vezes, também já não nos apetece liderar mais, queres descansar, queremos que decidam por nós, se antecipem e que não se esqueçam que não, lá bem no fundo, estão os nossos sentimentos que não são à prova de bala.

Se calhar, hoje tento dormir as horas que preciso e isto passa-me…. e isto não passará de um mero desabafo como tantos outros, num dia em que olhei para esta folha em branco, em que pouco ou nada me fazia sentido.

Boa noite.

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