Dizem que os primeiros anos são os mais exigentes para os pais. Depois, embora a exigência continue, é diferente, as idades são outras e, de certa forma, fica tudo um pouco mais fácil. Os filhos tornam-se mais autónomos e a vida retoma alguma normalidade. É o que ouço sempre dizer, quase como se tratasse de receber algum conforto de quem já esteve deste lado.

Por aqui, este fim-de-semana foi passado como foi possível, porque quem manda são os filhos. E eu ainda estou para descobrir como é que as crianças fazem para ter tanta energia após uma noite em que dormiram tão pouco e tão mal… A mim custa-me sempre cada vez mais. Para este fim-de-semana eu não tinha planos, aliás, o plano era precisamente não ter planos. Ainda assim, não cheguei a fazer nenhuma sesta – como tanto queria – também não consegui ir à praia, nem estive perto de uma piscina – e se antes me custava passar dias como estes longe do mar, hoje em dia é igual – e também não fui aos Santos Populares de que tanto gosto.

Não fiz nada disto, mas, em contrapartida, arrumei uma série de coisas que andavam em sacos pela casa há semanas, fui comprar um tampo novo para a sanita – o anterior estava partido e sem tampo, a Laura mete tudo o que encontra lá dentro – aproveitei e fui comprar uma cadeira auto para a Laura (escolhemos o modelo Seat Up da Chicco). Tive a casa virada do avesso, reuni duas avós cá em casa para tentar descansar, fez-se o jantar, deram-se banhos, geriu-se as birras do costume, as guerrinhas entre irmãos que começam a surgir cada vez mais – tenho cada vez mais respeito por quem tem mais do que dois filhos. A sensação que fica é a de terem sido mais dois dias na semana, pareceu ser uma semana mais longa que as outras.

Paralelamente a tudo isto, haviam outros planos – sem filhos – que não passaram de ideias, porque o sono e o cansaço sobrepôs-se a tudo o resto. E, mais uma vez, ouço sempre dizer para ter calma, pois os primeiros dois/três anos (com filhos) são os mais difíceis para o casal. É preciso calma e paciência para que tudo siga o seu caminho normal, o desejado.

Eu sei disso, aliás, sinto isso perfeitamente e mesmo que deseje muito que as coisas melhorem, não quero que os meus filhos cresçam mais rápido do que já crescem. No fundo, queria o melhor dos dois mundos… queria o impossível, não é? Contudo, ser mãe é muito isto, é viver numa espécie de bipolaridade e com alguma esquizofrenia pelo meio. Queremos, mas, ao mesmo tempo, não queremos; desabafamos, mas está sempre tudo bem; queixamo-nos, mas sabemos que aguentamos e que faz parte; desesperamos, sabendo que daqui a uns anos sentiremos falta e saudades de tudo – de tudo, menos de não dormir, como é óbvio! 🙂

E no meio desta loucura toda, começo a achar que talvez esteja na altura de pensar no “life kids balance”, como uma amiga minha lhe chama. Isto é, momentos a sós, em casal, sem filhos por perto, que servem de balão de oxigénio e de equilíbrio à própria vida familiar. Porque às tantas, a sensação que me dá é que ficarmos todos no limite, sem qualquer foco e isso acaba por se reflectir na qualidade das relações.

Neste preciso momento, a minha amiga está com o marido na Grécia, sem filhos – que ficaram de férias com os avós. E eu já só me imaginava no Algarve, a poucos metros da praia, sem horários, sem rotinas e… sem filhos.

Boa noite!

 

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