É sempre assim! Com um segundo filho esquecemos rapidamente o que se passou (de menos bom) com o anterior. Damos por nós a dizer, muitas vezes, que com o primeiro não tinha sido nada assim. Quando na verdade, se calhar até foi (e foi pior), no entanto, a verdade, mais verdadinha de todas, é que a memória das mães tem um poderoso filtro que só deixa ficar as coisas boas.

Com o tempo espero esquecer também os efeitos da privação do sono – e, já agora, voltar a dormir como antes, nem que seja daqui a 40 anos (mas uma pessoa precisa de ter um objectivo na vida, certo?) – esquecer que, mesmo agora, que as noites melhoraram bastante, uma noite má é uma noite péssima! Existirão poucas coisas tão angustiantes quanto olhar para o relógio e ver as horas a passar e tu em claro e que, no dia seguinte, isso não serve de desculpa para nada. E, por isso, deixo aqui ficar a minha homenagem aos pais que, depois de noites em claro, se apresentam ao trabalho e nem sequer chegam atrasados!

Depois, existe outro facto (real) é que no dia seguinte, misteriosamente, uma criança que não dorme está cheia de energia e um pai ou mãe que não dorme está completamente de rastos. Há duas noites que não se dorme cá em casa e eu tenho a sensação que me custa mais agora do que antes, quando era diário. Fico literalmente de rastos! E é um facto que eu deixei de ser eu desde que deixei de dormir com qualidade e o tempo suficiente.

Por isso, estava eu aqui a pensar em sugestões para o fim-de-semana e a preparar uma lista de coisas giras até que percebi que o meu único desejo para este fim-de-semana é: não fazer nada.

Não quero ter horários para estar aqui ou ali, quero tentar dormir a sesta, esticar um pouco a manhã, nem que seja com a televisão ligada nos “bonecos” e a casa virado do avesso, enquanto eu dormito no sofá “só mais um bocadinho”. Quero aproveitar o bom tempo e simplesmente desfrutar do ar livre sem compromissos, talvez ir até aos Santos Populares ou à Feira do Livro, talvez ir comer um gelado ou talvez, ir simplesmente ao jardim logo ali ao pé de nossa casa. Sei que não me apetece pensar, planificar, organizar e mobilizar mais três pessoas, conjugando os diferentes horários.

Um mãe pode ter super poderes, no entanto, não deixa de ser um ser humano como outro qualquer. Há dias em que precisa de descansar, sobretudo, de dormir. Caso contrário, de que valem os super poderes se não nos sentirmos capazes de fazer uso deles? Não concordam?

Boa tarde!

Boa sexta-feira.

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